Velozes e Furiosos

Velozes e Furiosos
Injeção de adrenalina

Por Daniel Libarino

Aproveitando o ritmo alucinante de Velozes e Furiosos, vamos direto ao assunto: trata-se do melhor filme de ação do ano. Apesar de 2001 ainda não ter chegado ao fim, acho muito difícil que venha outro tão bom lançamento nesta categoria. Não há como descrever a sensação de alívio que tive ao final da sessão, pois pensei que o cinema pipoca hollywoodiano estava liquidado. Convenhamos, não houve um só título do gênero que prestasse. Felizmente, ainda há lugar para produções despretensiosas que surpreendem e chegam arrasando - tanto em bilheteria quanto em qualidade. O responsável pela façanha é Rob Cohen.

Em seu primeiro grande sucesso comercial, o diretor teve cautela suficiente para não cometer os mesmos erros que Dominic Sena e Renny Harlin, responsáveis, respectivamente, por 60 Segundos e Alta Velocidade, dois filmes envolvendo carros para lá de insossos. Velozes e Furiosos deixa ambos comendo poeira. Cohen sacou que abusar de cenas absurdas não seduziria tanto a platéia, e optou por fazer um filme completamente verossímil, ainda mais por se tratar de uma produção destinada ao público adolescente. E acertou em cheio: o filme teve sucesso estrondoso nos Estados Unidos, foram mais de 150 milhões computados em caixa (custou pouco mais de 30), dando um banho nas películas protagonizadas por Nicolas Cage (90 milhões acumulados) e Sly (nem chegou aos 40).

O segredo de tal façanha está, ainda, no bom elenco e na trama plausível. Retratando o mundo das corridas ilegais, os rachas, conta a história de Brian (Paul Walker, de Sociedade Secreta), um garoto que, logo no começo da fita, tenta ser aceito no meio participando da "competição", liderada por Dominic (o surpreendente Vin Diesel), que tem ainda uma irmã (a brasileirinha Jordana Brewster) e namorada (Michelle Rodriguez, outra surpresa). Ao mesmo tempo, estão ocorrendo roubos de caminhões, obra de uma gangue misteriosa. Revelar o resto seria desnecessário, já que uma pequena reviravolta aguarda o espectador. Velozes e Furiosos só acumula pontos positivos.

Primeiro: as cenas de ação acontecem sem pressa, dando chance para o roteiro desenvolver a traminha policial. Segundo: os jovens atores deixam a canastrice, as más interpretações e as caricaturas de lado para imprimirem absoluta veracidade e dignidade à seus personagens. Terceiro: Rob Cohen joga fora os estereótipos fáceis e apresenta uma rica variedade de etnias sem qualquer julgamento por seus atos, por mais errados que possam ser.

Ainda não está convencido de que Velozes e Furiosos vale cada centavo do ingresso? Então acrescente o fato que, para assistir ao filme bem "seguro", recomendo um cinto de segurança. Cohen redimindo-se do péssimo Sociedade Secreta - demostra um absurdo comando das seqüências em alta velocidade, captando cada ângulo, cada ultrapassagem com competência digna de aplausos. Provoca tensão até antes das corridas começarem, fazendo uma viagem através dos motores das máquinas, um delírio. Aliás, que máquinas! Se eu que não sou nenhum fanático por carros já fiquei de queixo caído, imagine quem é. E para aqueles que ainda pensam encontrar um final para lá de mentiroso, esqueçam. O filme termina do jeito que começa, os personagens continuam anônimos e não caem, graças, a moralismos fáceis e nem ao clichê do "bem vence o mal", ou vice-versa. Ninguém ganha, pois o poder da justiça não é concebido, e, afinal, a vida nem sempre é justa.

Quem tira as conclusões somos nós, o público. Velozes e Furiosos é, sem dúvida, a grande surpresa do ano, o que faltava para fechar 2001 com chave de ouro, que dá um sabor de produção B, mas com um fator de diversão classe A. Um filmaço!



Velozes e Furiosos (The Fast and the Furious, EUA, 2001).
De Rob Cohen.
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Ted Levine. 106 min.
Site Oficial

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Novembro 2001