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Ricos,
Bonitos e Infiéis
Monótonos,
rasos e insuportáveis
Por
Daniel Libarino
Como
é que um produtor (por pior que o seja)
tem a audácia de conceber algo tão
ineficaz como este Ricos, Bonitos e Infiéis?
E como é que um estúdio, em sã
consciência, tem a coragem de bancar uma
comédia de 90 milhões de dólares?
Por melhor que ela seja, os riscos são
mais que visíveis, e os lucros, pouco prováveis.
Vamos fazer conta: para um filme ser considerado
um sucesso, tem que arrecadar três vezes
o que custou; então Town & Country
teria que faturar, no mínimo, 270 milhões
em verdinhas. Quantia que ficou apenas nos sonhos
mais doces dos responsáveis por esta bomba,
pois a mesma não conseguiu pagar nem um
quinto de seu orçamento nas bilheterias
americanas.
Também não é por menos. Esta
comédia deve ser um daqueles exemplares
deploráveis que os produtores engravatados
estavam prometendo após a notícia
de greve geral dos roteiristas em Hollywood. Não
sei se é o caso, mas motivos não
faltam para o encaixe: trama para lá de
insossa (e o pior, sem a menor graça),
direção morta, personagens bobos
e atuações sem timing. Em suma,
apesar da bela fachada, a fita nunca diz à
que veio, e logo na primeira meia hora de projeção,
acaba dando o famoso "efeito-sonífero"
na platéia. Tiro e queda.
Recheado de estrelas, o elenco de Ricos,
Bonitos e Infiéis faz de tudo para
tentar manter a dignidade e acertar no tom. Em
vão; as piadas (?) são dignas de
uma torta na cara. E como não há
uma história que preste, o fracasso é
iminente. Porter (Warren Beatty) é um ricaço
casado com Ellie (Diane Keaton). Em uma conversa
com seu amigo Griffin (Gary Shandling) - este,
por sua vez, marido de Mona, interpretada por
Goldie Hawn -, confessa nunca ter traído
sua esposa. Já pensou, mas nunca consumou.
Acontece que Mona pegou o marido no flagra com
outra (aparentemente...), e vai chorar as pitangas
justamente com Porter. Este, por sua vez, não
resiste aos prazeres do "fruto proibido"
e começa, então, sua jornada sexual
iniciada pela personagem de Nastassja Kinski,
passando por Andie MacDowell e, por fim, Jenna
Elfman. Claro, sem esquecer de Goldie Hawn.
A
referência ao título original Town
& Country se deve ao fato de que metade das
conquistas de Beatty se consumam na cidade grande;
a outra metade, óbvio, num recanto situado
numa cidadezinha. Ou ainda, serve para confirmar
a tendência xenófoba da fita, inserida
nos (bobos) diálogos. Acontece que comédias
deste tipo tem dois destinos: a fina ironia, ou
o pastelão descarado. Caso o filme fosse
em direção à primeira característica,
poderia muito bem ser firmado pela mão
de um Robert Altman (que já havia alfinetado
o mundo das madames com a obra-prima Dr.
T e as Mulheres) ou mesmo de um Woody
Allen (seu Small Time Crooks trata
de tema semelhante). Se a segunda opção
parecesse mais razoável, poderiam ter chamado
qualquer um, menos Peter Chelsom (do bom drama
Sempre Amigos).
Apesar da música ágil, Ricos,
Bonitos e Infiéis não se
encontra nunca, é completamente arrastado
e rende uma ou outra mínima risada. Muito
pouco, pois este é o pior erro que se pode
cometer em uma comédia. Absurdo maior,
porém, é não encontrar-se
em tela, de forma alguma, onde diabos foi torrado
o enorme orçamento da película.
Ao final, a conclusão é obvia: os
discípulos de Chatô já estão
fazendo história na terra do tio Sam.
Ricos,
Bonitos e Infiéis (Town & Country,
EUA, 2001).
De Peter Chelson.
Elenco: Warren Beatty, Diane Keaton, Goldie Hawn,
Andie MacDowell, Jenna Elfman, Josh Hartnett,
Nastassja Kinski, Charlton Heston. 104 min.
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