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Histórias
Proibidas
New
Jersey continua a mesma
Por
Adriano Ferreira
Quando
fui ver Histórias Proibidas,
o novo filme do Todd Solondz (do maravilhoso Felicidade
- se você não viu, locadora já),
já tinha um pressentimento muito forte
que o filme não seria tão bom quanto
Felicidade; dito e feito. O filme
é bacana, mas o diretor perdeu a mão
em alguns momentos. Mesmo assim está muito
acima da média.
São
duas histórias. Em Ficção,
uma garota white trash (Selma Blair, que estava
excelente como a nerd chata de Legalmente
Loira) namora um deficiente mental
(Leo Fitzpatrick, que cresceu bastante desde que
fez Kids), mas sente-se ao mesmo
tempo atraída e irritada pelo professor
de Literatura. Sim, só esse fiapinho de
história. A segunda história, NãoFicção,
mostra um documentarista fazendo um filme sobre
um jovem problemático, Scooby, e sua família.
Vários acontecimentos vão mudar
o rumo das coisas.
O
que mais me intrigou quando o filme acabou foi
o seguinte: porque Solondz decidiu fazer uma primeira
história tão curtinha, e uma segunda
tão grande? Daria pra fazer um longa só
com a segunda história. Teria sido mais
bacana se as duas histórias tivessem a
mesma duração, já que Ficção
poderia ter rendido bem mais - a história
termina num ponto interessantíssimo. A
disparidade entre as duas histórias também
é grande: a segunda parte é o mesmo
Solondz de Felicidade, descendo
a lenha nos habitantes dos subúrbios americanos
(particularmente de New Jersey), sem dó
nem piedade (embora sem a mesma ferocidade do
filme de 98). Já a primeira parte é
bem mais contida, como se o diretor quisesse mostrar
que ele sabe contar histórias de forma
menos agressiva.
E
é justamente a segunda história
que enrola mais. Tem várias coisas meio
desnecessárias, meio mortas (a cena de
sexo de Scooby não tem importância
nenhuma, a não ser pelo delírio
engraçadíssimo que ele tem na hora),
e alguns personagens pouco aproveitados, como
o irmão do meio. Já o irmão
mais novo é excelente, irritante até
a medula, mas que talvez seja o personagem mais
interessante de todos (e o ator é muito
expressivo). Mas o final, com a mensagem de Solondz
contra a exploração alheia feita
pela mídia, soa muito clichê.
No
final das contas, o mais interessante de tudo
é a ironia do diretor em nomear a primeira
parte de "ficção" e a
segunda de "nãoficção",
quando é justamente o contrário
que acontece. Ao final da primeira história,
o professor diz, "Quando você passa
algo real para o papel, imediatamente isso se
torna ficção". Eu não
concordo! Queria que houvesse mais discussão
sobre isso. O fato do diretor "fechar"
todas as suas conclusões de forma abrupta
é meio "broxante", mas enfim.
Isso não impede o espectador de pensar
sobre o tema.
Ah!
Não podia deixar de citar a melhor cena
do filme, um esporro em cima da cena mais famosa
de Beleza Americana. Eu soltei uma
gargalhada quando vi. Já que tudo que o
superestimado Beleza... fez foi
diluir a fórmula de Felicidade
(e depois papar todo o crédito), nada mais
natural que Solondz devolvesse a gentileza. Com
direito a musiquinha irônica e tudo. Só
por esse esporro, Histórias Proibidas
já vale o ingresso.
Histórias
Proibidas(Storytelling, EUA, 2001).
De Todd
Solondz.
Elenco: Selma Blair, Paul Gimatti, Leo Fitzpatrick,
Lupe Ontiveros. 100 min.
Site
Oficial
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