Todo Mundo em Pânico 2

Todo Mundo em Pânico 2
Tenha medo. Muito medo

Por Daniel Libarino

O que a ganância não faz com um ser humano, não? Neste caso, com um filme. O que mais me impressiona nisto tudo é a absoluta falta de tato que os irmãos Wayans provaram ao mundo ao concluir esta bobagem chamada Todo Mundo em Pânico 2. Tudo bem, poderia ser uma bobagem para lá de engraçada, mas os dois esqueceram de alguns detalhes básicos: primeiro, estamos na época em que filmes de terror adolescentes já estão para lá de saturados - por conseqüência, comédias de paródias também -; segundo, não restaram boas produções para virarem motivos de chacota, pois a trilogia de Pânico já foi concluída; e terceiro, piadas absurdas e profundamente forçadas nem sempre rendem as risadas esperadas.

Pois bem, devo admitir que gostei do primeiro Todo Mundo em Pânico, mas, como um crítico já havia levantado em seu texto, o filme, infelizmente, fez sucesso. Infelizmente, pois uma continuação seria o próximo passo, e deu no que deu: não rendeu o esperado nas bilheterias americanas, e pior, não passa de um lixão para lá de imbecil - e sem graça. Tudo o que o original tinha de engraçado, este tem de repetitivo. Acho que pior que as piadas ineficazes, só mesmo o rosto forçadíssimo de Marlon Wayans, que abusa do mal gosto em personagem deprimente - pior que este, só mesmo o que interpretou no péssimo Sem Sentido. Aliás, belo nome.

Imperdoável a cena em que se parodiza a comédia besteirol (e também péssima) Cara, Cadê Meu Carro?, o primeiro sinal de que as idéias estavam mais curtas que o imaginado. Sofrivelmente, Todo Mundo em Pânico 2 começa com uma sátira de O Exorcista (outro filminho ruim, mas trata-se de um clássico, então, está perdoado), momento que provoca algum sorriso na hora dos vômitos escandalosos. Nojento, mas engraçadinho.

O que procede-se após é uma tremenda sucessão de equívocos. De Hannibal à A Casa Amaldiçoada (outra bomba), passando por Revelação, As Panteras (um dos únicos razoáveis momentos), O Tigre e o Dragão e até um comercial da Nike, Todo Mundo em Pânico 2 exagera na dose apresentando piadas que são o cúmulo do ridículo e do escracho (aquela da maconha gigante chega ao limite da paciência). E os irmãos Wayans ainda tentam brincar de irmãos Farrelly, inserindo um personagem deficiente físico para (neste caso) chegar ao fundo do poço. Acontece que a segunda dupla de cineastas sabe muito bem dosar o humor tirado destas situações envolvendo pessoas especiais, resultando em comédias (em sua maioria) deliciosas - uma delas, a obra-prima Eu, Eu Mesmo e Irene.
Já a dupla número um, bem..., deixa para lá.

A história? Bem, se pudermos considerar este fiapo de enredo como história, lá vai: os amigos do antigo massacre (alguns deles, ainda por cima, mortos no primeiro filme) são convidados a passar uma noite em uma casa amaldiçoada, para colaborarem com uma pesquisa sobre o sono (deve ser isto). Mas mesmo se não o for, pouco importa, pois é só um motivo para jogar em tela cenas de extremo mal gosto, apelativas e piadas que custam a arrancar uma mísera risada, de tão retardadas. No fim das contas, Todo Mundo em Pânico 2 é só um filmeco B tão mal dirigido, atuado e produzido que dá vergonha. Digamos que 5% do total seja um tanto aproveitável. O resto, é melhor esquecer.


Todo Mundo em Pânico 2 (Scary Movie 2, EUA, 2001).
De Keenen Ivory Wayans.

Elenco: Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris, Regina Hall, Tori Spelling, Tim Curry, Chris Elliot, James DeBello. 84 min.

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Novembro 2001