Rufus Wainwright - Poses

Rufus Wainwright - Poses
Segundo álbum do canadense encanta e seduz

Por Diogo Henriques

Poses, segundo álbum do canadense Rufus Wainwright, desponta desde já como um dos sérios candidatos a melhor álbum de 2001, ao lado de medalhões consagrados como Radiohead e R.E.M..
Assim como seu álbum de estréia (Rufus Wainwright, de 1998), Poses é um disco extravagante e sofisticado, inclassificável. Críticos de música no exterior o definiram como uma mistura moderna de pop e ópera. Mas Rufus, com sua voz de trovador solitário e piano de classe, mais se assemelha a um músico de cabaré de primeira linha. É de se estranhar que ainda não tenha sido convidado pelo diretor David Lynch para fazer a trilha sonora de um de seus filmes.

Poses abre com "Cigarettes and Chocolate Milk", uma faixa hipnótica que evolui de acordes simples no piano até inusitadas referências orientais. "Greek Song", a faixa seguinte, é certamente uma das mais esquisitas e encantadoras já compostas por Rufus em sua carreira. Entremeada por instrumentos exóticos, é o ponto alto do disco.

"Poses", a faixa título, é talvez a mais intimista do novo álbum. Nela, o destaque é para o piano melancólico e o belo arranjo de cordas que realça a melodia sutil da canção. "Shadows" vem logo em seguida, e conta com a participação especial de Alex Gifford, do Propellerheads. Sua contribuição é fundamental para o toque moderno que Poses assume, não só em "Shadows", mas também em faixas subseqüentes como "California", "Grey Gardens" e "The Tower of Learning".

Em Poses, Rufus Wainwright soa muito mais moderno do que em sua estréia. E não apenas sua sonoridade se modificou, mas também o caráter de suas letras, agora menos pessoais e mais amplas, globais, por assim dizer. Não se pode deixar de observar que dessa vez Rufus esteve muito mais aberto a influências externas e deixou também aflorar o talento dos músicos que o acompanham. O que não significa que seu novo álbum careça de identidade. Em Poses, produzido por Pierre Marchand (responsável pelos melhores trabalhos de Sarah McLachlan), há espaços de sobra para o ecletismo.

É de se lamentar o fato de que as chances do disco sair no Brasil são mínimas. Mas os curiosos podem conferir o trabalho do canadense em algumas trilhas sonoras já lançadas por aqui. Na trilha do desenho animado Shrek, Rufus interpreta "Hallelujah", a canção de Leonard Cohen também gravada por Jeff Buckley. E em Moulin Rouge o destaque é para sua releitura do clássico francês "Complainte De La Butte".


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Outubro 2001