Pink - M!ssundaztood

Pink - M!ssundaztood
E a festa começou...

Por Eddie Schäfer

Poucos devem lembrar de sucessos como "There You Go" ou até mesmo "You Make me Sick", singles do primeiro disco (Can´t Take me Home), de Pink.
Em questão de um ano, a cantora mudou o seu estilo e chamou para o seu projeto seguinte, M!ssundaztood, Linda Perry (ex-4 Non Blondes) para produzir, compor, tocar alguns instrumentos e emprestar sua voz para algumas canções. A parceria deu tão certo que Pink é umas das artistas pop mais lembradas de 2002. Especialmente em premiações relacionadas ao canal da Music Television.

Antes disso, ao lado de Christina Aguilera, Lil'Kim, Mya e Missy Elliot, gravou uma versão para "Lady Marmalade", de LaBelle, para a trilha sonora de Moulin Rouge. Esse foi seu primeiro sucesso a atingir o primeiro lugar nas paradas. A partir daí, somente bons frutos foram colhidos, deixando-se de lado a pose de encrenqueira da artista.

O primeiro single, "Get this Party Started", animou muitas festinhas, tocou à exaustão em rádios e passou muito na MTV. O mesmo pode ser dito sobre "Just Like a Pill" (sobre o abuso de drogas) e "Don´t Let me Get Me", na qual a cantora faz um ironia de que está cansada de ser comparada à Britney Spears, dizendo não poder ser tão bonita como a princesinha do pop e assim ser uma grande estrela. ("Tired of being compared to damn Britney Spears / She's so pretty, that just ain't me").

Uma das melhores participações do disco fica sob a responsabilidade de Steven Tyler. Na faixa "Misery", uma soul (blue) music, a cantora deixa o seu lado rebelde e solta a voz que ninguém imagina que a moça, a mesma de "Get this Party Started", possua. Graças à Linda Perry que temos belas frases como "Tell me why does my heart make a fool of me / Seems its my destiny / For love to cause me misery". Uma das melhores faixas do disco, principalmente para aqueles que já estão saturados de toda a linearidade que o Aerosmith vem seguindo ao longo de seus mais de vinte anos de carreira.

"Dear Diary", "My Vietnam" e "Family Portrait" (mais um single da cantora que já tem clipe passando direto na MTV) ganham caráter introspectivo/confessional, sem medo de confrontar o passado. "Family Portrait" diz respeito ao divórcio dos pais e frases como "I don't wanna have to split the holidays / I don't want two addresses / I don't want a step-brother anyways / And I don't want my mom to have to change her last name", ganham um tom cru sob a visão da garota que cresceu em uma família desestrutura e provavelmente teve que seguir seu próprio caminho, idealizando uma família perfeita como a de qualquer comercial de margarina. O que dizer disso tudo? Jogada de marketing? Por que não? Funcionou.

"18 Wheeler", uma das melhores faixas pop do disco, inicia com um piano seguido repetidamente da frase "Can´t keep me down". A melodia vigora devido à junção do rock instrumental com um beat. Também merecem destaque, devido aos vocais e ritmo causador de melancolia, canções como "Lonely Girl" (com participação de Linda Perry) e a desilusão em "Eventually" ("I drank your poison cuz you told me its wine / Shame on you if you fool once / Shame on me if you fool me twice").

O fato é que, mesmo fugindo do seu antigo estilo, Pink conquistou um nova legião de admiradores (até mesmo aqueles que não a conheciam e tinham apenas como referência seus cabelos rosados - pelo menos na sua estréia). Brigou com companhias de discos que tentaram manipular sua carreira e venceu - e com o auxílio de Linda Perry lançou, definitivamente, um dos melhores álbuns pop do ano.

 
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Dezembro 2002