Paula Cole - This Fire

Paula Cole - This Fire

Por Eddie Schäfer

This Fire, definitivamente, é obrigatório em qualquer discoteca. É um disco que conquista facilmente os fãs de cantoras como: Tori Amos, Sarah Mclahclan, Jewel, Alanis Morissette, Fiona Apple, Natalie Merchant, ...
O disco recebeu várias indicações ao Grammy 1998, entre elas: Melhor canção do ano ("Where Have All the Cowboys Gone?"), gravação do ano, performance pop, álbum pop, melhor produtor do ano (Paula Cole se torna a primeira mulher na história da premiação a ser indicada nesta categoria) e melhor álbum do ano. Mas a cantora apenas ganhou um prêmio: o de revelação. Mesmo sendo This Fire seu segundo trabalho, aceitou o prêmio numa boa.

Caso ainda não conheça as músicas do disco, uma dica é ler a observação que a própria cantora deixou no encarte para os ouvintes: "Eu recomendo tocar esse disco bem alto. Espero que ele o leve a uma jornada". E é assim que podemos definir um dos melhores discos dos anos 90. Uma viagem com letras introspectivas, violentas, sinceras e melodias comoventes.

Todas as faixas, doze no total, conseguem atingir o equilíbrio perfeito entre letra e melodia. No seu disco anterior (Harbinger, 1992) isso também acontece, mas aqui estamos lidando com uma artista mais madura e segura do que em seu primeiro trabalho solo.

E a jornada começa com "Tiger". A voz da cantora surge à capela na seguinte frase: "Where do I put this fire, this bright red feeling?". Movida por um ritmo contagiante de bateria, misturando raiva e delicadeza, dá-se início à jornada da garota que queria ser apenas ela mesma e, não, a inocente e "certinha".

"Where Have All The Cowboys Gone?" é uma mistura de country music e pop. Certos momentos são de total leveza, porém logo surge um sentimento de angústia, facilmente percebido na voz da cantora, em relação ao seu parceiro, que não lhe dá o mínimo valor. A canção é seguida de uma batida linear e, em alguns momentos, solos de guitarra acompanham as esperanças de encontrar o homem perfeito, como nos versos "Where is my John Wayne?" ou até mesmo "Where is my Marlboro Man?", cujas respostas ficam pendentes.

Uma das melhores faixas, "Throwing Stones", é seguida de uma bateria com excelente acompanhamento de piano, exaltando cada momento de raiva da canção em frases como: "Call me a bitch in heat and I will call you a liar". E à medida em que a música vai chegando ao seu fim, o piano que começará escondido começa a ganhar grande repercussão durante os momentos finais. Existe uma total facilidade de expressão em cada uma das notas que seguem juntas com a voz e a letra agressivas.

"Carmen" é o oposto. Baseada numa melodia lenta e alguns acordes de guitarra, a canção leva até o seu fim leveza e tranqüilidade. Mas toda a serenidade é esquecida em "Mississippi". Ao dar gritos e sussurros durante a melodia, às vezes confundidos com alguns dos instrumentos, Paula demonstra toda a energia de sua voz. Essa é uma das razões pela qual costumo dizer que Cole tem uma das vozes mais poderosas dos anos 90. Ela sai de um tom gravíssimo e salta para um agudo numa total facilidade. É o tipo de música que não pode ser cantada por qualquer outra pessoa, para não perder toda a magia, poder e energia.

Em "Nietzche´s Eyes" existe uma beleza indescritível. Talvez só escutando para sentir a música dedilhada ao piano e que, no seu auge, ganha um acompanhamento de gaita de foles. Mas esse ar de quietude iniciado logo termina, com "Road to Dead". Um ritmo violento é acompanhado por um backing vocal da cantora, que fica repetindo continuamente o nome da canção, e que faz comparações entre ela e Jesus Cristo, dizendo que se sente como ele sendo pregado na cruz.

"Me" é de fácil identificação: tanto na melodia, que conta com uma bela abertura de piano, como na letra. Versos como: "eu que sou meu inimigo" ou "eu que crio os monstros" nos fazem pensar que muitas vezes nós que fazemos nossos próprios problemas serem muito maiores. "Feelin´Love" soa como música de striptease - pelo menos é o que vem à cabeça de quem a escuta. A música tem um ritmo bem sensual, e não apenas isso, pois se prestarmos atenção à letra existe um certo grau de erotização também.

"Hush, Hush, Hush" é um dueto da cantora com o seu padrinho Peter Gabriel, pois foi ele quem a descobriu quando a convidou para fazer parte de sua turnê. Depois disso, deu uma força no lançamento do primeiro álbum (Harbinger) e aqui aparece numa participação especial.

E o que seria de Paula Cole sem "I Don´t Want To Wait"? Provavelmente, a mesma coisa que Alanis Morissette sem "Ironic", Jewel sem "You were meant for me" ou Fiona Apple sem "Criminal". Com essa canção, Paula Cole lançou-se no mercado fonográfico e invadiu mais uma vez as paradas de sucesso ao virar tema do seriado "Dawson´s Creek". Mais uma vez uma letra belíssima, na qual criam-se várias personagens, acompanhada de acordes de piano e uma bateria fundamental para a melodia.

Escutando todas as músicas, sem pular uma faixa, talvez você entenda o que a cantora quis dizer com a jornada que o álbum iria lhe proporcionar. E, com certeza, depois disso você vai querer fazer muitas outras viagens...

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Setembro 2001