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Pato
Fu - Ruído Rosa
Ruído
Technicolor
Por
Eddie Schäfer

Confesso que não sou grande fã da
música brasileira. Poucos são os
artistas de que gosto, mas o problema da música
nacional é que, muitas vezes, ela é
feita para se escutar num dia, virando hit, e
se esquecer no outro.
Mas ainda existe luz no final do túnel,
como já diz o ditado, e essa é o
próprio Pato Fu - não desmerecendo
outros excelentes artistas brasileiros como Ana
Carolina, Marisa Monte, Adriana Calcanhoto, Caetano,
Marina Lima e lá vai fumaça...
O disco que recebe o nome de Ruído
Rosa, na verdade, não tem nada
de ruído rosa. Isso porque a expressão
é usada nos estúdios quando aparecem
problemas técnicos durante as gravações.
O título não cabe ao disco, afinal
de contas, o grupo fez um álbum "pop
rock alternativo eletrônico", diga-se
de passagem, de primeira, lembrando muito de Radiohead
e até mesmo a islandesa Björk.
Vou tentar escrever o que achei do disco, mas
não me joguem na fogueira ou mandem assassinos
de aluguéis atrás de mim se não
acharam lá grandes coisas. Porém
podem entupir minha caixa de e-mail dizendo se
gostaram ou detestaram.
A faixa de abertura
"Eu" é uma regravação,
da banda gaúcha Graforréia Xilarmônica,
e ficou excelente. Seja nas batidas ou nas subidas
de tom acompanhadas pela voz de Fernanda Takai,
que ecoa em alguns momentos animadores da canção.
Não é para menos que foi a música
de divulgação do disco. Já
em "Ninguém", uma balada
que começa a ganhar expressão na
medida em que seu fim vai chegando, parece ser
um pouco de "Scatterheart", da
Björk, devido ao som de um vinil rodando
durante a música - preste atenção,
lembra também "No Surprises",
do Radiohead - foi o que me veio à cabeça.
Além disso, Takai e Os ex-Mulheres Negras,
André Abujamra e Maurício Pereira,
juntaram-se em estúdio e o resultado foi
a animada "Day After Day" - toda
cantada em inglês.
"Tribunal
de Causas Realmente Pequenas" é
uma balada acompanhada por um cavaquinho tocado
pelo próprio John, lembrando muito o nosso
samba. Uma das letras mais bonitas do disco. Em
certo ponto, ganha alguns elementos eletrônicos,
lembrando uma pouco de "Made In Japan"
do disco Isopor.
"Menti Pra Você, mas Foi Sem Querer"
(minha favorita) tem bem cara de Pato Fu. Isso
porque tem um estilo pop nacional que conquista
na hora, mas isso não quer dizer que aqui
não há experimentalismos. Repare
nas partes em que se brinca com a voz da cantora,
fazendo um remix, ou na parte final, dando a idéia
de um disco arranhado que fica repetindo. Enquanto
isso, "Ruído Rosa", "O
Vento Levou..." e "Sorria, Você
está Sendo Filmado" (destaque
para John que assume os vocais e tem uma visão
peculiar e humorística do dia-a-dia) são
as mais belas baladas do disco com letras que
conquistam o ouvinte facilmente.
Se o baixo tocado
em "Deus" é fundamental,
numa das faixas mais rock do disco, a banda se
perde nas guitarras e elementos eletrônicos
de "Tolices" - uma regração
do Ira!
Já "Que Fragilidade" começa
como música para se tocar em elavador em
um dia rotineiro, mas à medida em que vão
surgindo outros instrumentos a música vai
ganhando forma. E, para fechar o álbum,
mais uma regração, dessa vez dos
Mutantes. "Ando Meio Desligado"
virou tema de uma novela global, ganhando uma
cara bem mais pop rock do que a versão
original. A música é fundamentada
numa guitarra e numa bateria.
Depois de tanto
experimentalismo para o lançamento do álbum,
a banda só saiu ganhando. O Pato Fu acabou
se tornando uma das bandas mais promissoras no
rock brasileiro e não parece (e fica claro)
estar bitolada a um estilo apenas, tendo criatividade
de sobra - coisa que anda faltando, atualmente,
para o cenário musical brasileiro. Escute
o disco e deixe que o Pato Fu lhe apresente um
mundo cheio de cores, onde as sonoridades não
soam "preto e branco".
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