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O
Quarto do Pânico
Angústia
entre quatro paredes
Por
Eddie Schäfer
Em 1999, o mundo voltou-se para o cineasta David
Fincher. O motivo: o seu polêmico Clube
da Luta. Aquele havia sido o último
filme lançado por ele - até o momento.
Em 2001, surgiram notas na internet comentando
à respeito do seu próximo trabalho
e que Nicole Kidman estaria encabeçando
o projeto. Porém, uma lesão no joelho
da atriz durante as filmagens de Moulin
Rouge fez com que ela desistisse e,
dessa forma, a excepcional Jodie Foster se juntasse
ao diretor.
Após
quase duas horas de exibição é
impossível esquecer todo o ar angustiante
criado por Fincher e toda a força que o
personagem de Jodie Foster desenvolve durante
cada minuto da película.
Jodie
Foster é Meg Altman, uma mulher recém-divorciada,
que junto com a sua filha de doze anos, procura
um novo lar - de preferência bem caro, pois
é o seu ex-marido, que a trocou por uma
modelo, quem vai bancar as contas da nova moradia.
As duas escolhem uma ampla casa de quatro andares
em Manhattann, na qual existe uma sala secreta
- o tal quarto do pânico do título-
totalmente isolada por concreto e aço,
com um sistema de vídeo interno, permitindo
a visualização de todos os ambientes
da casa, alguns suprimentos e uma linha de telefone
independente. Mas para Meg aquela era apenas uma
peça da casa para ser esquecida.
Na
primeira noite das duas na nova casa, elas são
acordadas por três ladrões (o bonzinho
Forest Whitaker, o atrapalhado Jared Leto e o
psicótico Dwight Yoakam). A primeira atitude
das duas é esconder-se dentro da tal sala
secreta. Após entrarem, estabelecem contato
com os intrusos e para o desespero delas, esses
deixam claro que estão atrás de
alguma coisa guardada exatamente dentro daquele
quarto. Detalhe: Meg não havia ativado
a linha telefônica independente do quarto.
Consequentemente, ela é obrigada a ficar
dentro daquele cubículo e um jogo onde
o mais esperto sairá vencedor começa.
O clima de tensão criado por Fincher faz
com que o espectador pense, interaja e fique com
vontade de gritar para a tela de projeção
o que a personagem pode fazer para sair daquela
situação angustiante. Contar mais
sobre o filme é estragar o entretenimento
daqueles que ainda não o assistiram.
O
diretor mostra-se um grande admirador de Alfred
Hitchcock. A cena inicial onde os créditos
aparecem juntamente a cidade de Manhattann, poderiam
ser o início de um filme do mestre do suspense.
E se alguém ainda tiver dúvida,
a trilha sonora de Howard Shore (o mesmo de O
Senhor dos Anéis) poderia ser
comparada com os trabalhos de Bernard Hermann,
o favorito de Hitchcock.
Outro
ponto interessante do filme é como Fincher
nos apresenta a casa. Alguns movimentos de câmera,
jogadas de edição e passeios por
lugares que só a computação
gráfica nos permite, como dentro de uma
fechadura, faz com que a casa acabe se tornando
um verdadeiro jogo, no qual os seus personagens
são as peças.
O
Quarto do Pânico
não é o melhor filme de David Fincher,
mas mesmo assim funciona, e muito bem, como um
entretenimento no melhor estilo hollywoodiano
- o próprio Fincher reconhece que seu novo
trabalho tem por objetivo ser apenas mais um bom
filme-pipoca.
O Quarto do Pânico (Panic
Room, EUA, 2002).
De David Fincher.
Elenco: Jodie Foster, Forest Whitaker, Jared Leto,
Kristen Stewart, Dwight
Yoakam.
115 min.
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