Olívia

Olívia
Novo talento nacional

Por Fernando Passos

Por trás do cenário musical brasileiro atual ainda há artistas que se salvam - uma das provas mais concretas disso é a cantora Olivia. Aos 29 anos de idade, lançou seu primeiro álbum (Olivia), que leva seu nome, surpreendendo em vários aspectos: utiliza beats eletrônicos e trip hop em sua música, um pop alternativo, tornando-a muito original e intrigante.

Suas letras são simples e falam sobre natureza principalmente, com um charme e uma sensualidade intocáveis. E como fã da música alternativa, não posso deixar de comparar seu trabalho com o de cantoras como Björk, Tori Amos, e artistas do gênero - porém com um estilo muito particular de expressão.

A paulista, Olivia, entrou cedo para mundo artístico: aos 6 anos começou a aprender flauta doce no colégio - mas o que queria mesmo era tocar piano. Aos nove anos de idade, estudou piano erudito. Daí aprendeu sobre a cultura oriental, fez teatro, deu aulas de Dança do Ventre, fez parte de um coral, de um grupo de blues e de um trio de MPB. Chegou uma época em que Olivia não estava satisfeita com seu trabalho; quase não tinha tempo para cantar, e isso resultou em uma síndrome do pânico, obrigando-a a interromper tudo por dois anos. Dessa experiência tirou uma lição: "Eu não respeitava os sinais do meu corpo. Hoje sei que preciso dar vazão a esses sinais do corpo e do espírito", diz.

Com uma semelhança física à cantora Alanis Morissette - sendo muitas vezes confundida nas ruas - Olivia possui uma voz doce e encantadora. Fez de seu álbum de estréia uma obra pura, notável e original, merecedora de respeito e admiração do mais exigente dos ouvintes. Destaques para as canções "Blecaute", "Nada Sai do Lugar" e "Ayune".

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Abril 2001