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Nove
Rainhas
O
estreante Bielinsky dá sua contribuição ao cinema
latino-americano
Por
Daniel Libarino
Filmes em que trambiqueiros
armam um plano mirabolante para tirarem a sorte
grande já não são novidade no cinema. Mas de vez
em quando, surge um novo e talentoso cineasta
que lança seu olhar pessoal e acaba dando um novo
frescor à história. Vejam o caso de Nove
Rainhas: dirigido pelo estreante Fabián
Bielinsky, quebrou recordes de bilheteria na Argentina
- seu país de origem - e agora chega aos cinemas
brasileiros. Subvertendo os gêneros comédia e
suspense, a produção portenha acaba surpreendendo
pela despretensão.
A trama gira em torno de um conjunto de valiosíssimos
selos, as Nove Rainhas que dão nome ao filme.
Juan e Marcos são dois vigaristas que acabam se
conhecendo por acaso em uma loja de conveniência.
Após algumas "negociações" iniciais, decidem aplicar
o golpe do baú em um ricaço colecionador das peças,
que está temporariamente instalado em um luxuoso
hotel na cidade, vendendo-lhe uma cópia falsa
das Nove Rainhas. Claro, o plano não sairá exatamente
como o previsto e o roteiro apresenta mais alguns
personagens que darão um rumo inusitado à história.
Nove Rainhas não só nos apresenta
diálogos bem escritos e um elenco afiado, como
também merece crédito pelo roteiro um tanto original,
mostrando situações ora engraçadas, ora tensas,
conseguindo um resultado bem satisfatório, mas
que ainda assim peca um pouco pela falta de ritmo
em algumas seqüências. O que acaba compensando
a falha são as reviravoltas que, vira e mexe,
dão o ar de sua graça no decorrer do filme.
Bielinsky já mostra boa habilidade com a câmara,
proeza admirável em se tratando de um trabalho
de estréia. Nove Rainhas consegue
entreter facilmente, entre outros aspectos, pelo
cínico clima de desconfiança que o diretor conseguiu
extrair de seu competente elenco, o que acaba
movendo os personagens até o final das quase
duas horas de projeção.
Apesar dos prós, Nove Rainhas ainda
não é um grande filme; faltou uma trilha sonora
mais caprichada e adequada aos momentos-chave
e um melhor aproveitamento das (ótimas) idéias
que o roteiro apresenta, um ritmo mais frenético,
quem sabe. Mas continua sendo programa obrigatório,
seja pelo balanço perfeito entre humor e suspense,
seja pelos toques de crítica social acrescentados
à história ou também pelo elenco de fazer inveja.
Nove Rainhas é a prova de que o
cinema latino-americano não está morto e tem um
brilhante futuro pela frente. Talento é o que
não falta.
Nove
Rainhas (Nueve Reinas, Argentina, 2000).
De Fabián
Bielinsky.
Elenco: Ricardo Darín, Gastón Pauls,
Leticia Brédice, Óscar Núñez,
Tomás Fonzi, Ignasi Abadal. 115 min.
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