O Retorno da Múmia

O Retorno da Múmia
O nada

Por Daniel Libarino

Se você ainda tem alguma dúvida sobre o insistente motivo que move os produtores Hollywoodianos a bolarem alguma sequência de um sucesso qualquer, assista O Retorno da Múmia. Garanto que, em poucos minutos, você verá várias cifras bem em cima do globo ocular dos participantes da batalha que inicia o filme. E se alguém ainda duvida do poder de uma boa propaganda, das altas doses de efeitos-especiais e de muita porrada, é só conferir os números iniciais: em apenas três (3) dias, a produção arrecadou, só nos Estados Unidos, a bagatela de 70 milhões de dólares, batendo recordes anteriores. Pelo jeito, ninguém está afim de nada, apenas de comer pipoca e ver um bando de gente se matando sem motivo, a maior alegria...

Se poderia funcionar? Claro que poderia. A violência no cinema é sempre perdoada, desde que haja os dois pontos-chave: o bandido e o mocinho. O primeiro se dá mal, o segundo vence, como sempre. Embalado com um ritmo de sessão da tarde censura livre então, tudo é tolerado. Mas eu não engoli. Infelizmente, o diretor/roteirista Stephen Sommers deixou de lado a balanceada e gostosa formulinha da primeira parte para encher os olhos do espectador não muito exigente com muita ação desenfreada e sem motivo, movida, é claro, com um mundareo de efeitos-especiais bacaníssimos. História? Para quê? Já que o assunto é diversão sem QI, vamos estrapolar!

E essa regra é seguida à risca em O Retorno da Múmia - o filme não convence por um só minuto. Juro que tentei ao menos gozar de um simples momento de prazer assistindo à aventura Indiana Jones, mas foi tarefa impossível: do começo ao fim, o que se vê são apenas monstros digitais, lutas, lutas e mais lutas. E tudo isso para quê? Para nada. Vamos lá, alguém que for asssisti-lo ainda espera encontrar um pingo de estória, uma linha sequer de um roteiro? É lógico, há a típica camuflagem, a cobertura ralinha, só para constar. Quem quiser mais, escolha qualquer outro que estiver em cartaz, pois este aqui não vale nem uma lida na sinopse.

Já que não há uma estrutura (ou, pelo menos, uma mais convincente), vamos direto ao assunto. O Retorno da Múmia além de ser um filme vazio, repetitivo e chato, ainda comete erros grosseiros de lógica, sem falar nas cenas em que plageia sem a menor dó algumas sequências de Titanic. Isso mesmo, você não leu errado. A falta de criatividade foi tanta que Stephen Sommers fez referências ridículas à obra de James Cameron: é quase um xerox. Até a múmia Imhotep se deu mal, pois seu personagem nem é o mais assustadoramente contemplado, uma decepcionante aranha gigante ainda está por vir.

Não vou negar que as cenas de luta são muito bem feitas e que os efeitos são de babar, mas de que adianta tudo isso se não há nada em que baseá-las? O que pareceu foi que deu a louca no mundo e todos começaram a lutar sem o menor propósito ou sentido, resultando em uma entediante mistureba de tudo o que se possa imaginar no menor tempo possível. No final das contas, O Retorno da Múmia só serve para confirmar a tese da maldição das continuações - ao menos no quesito qualidade. Alguns exemplares até que se salvam, mas este aqui conseguiu ser péssimo do primeiro ao último minuto. E salve-se quem puder.


O Retorno da Múmia (The Mummy Returns, EUA, 2001).
De
Stephen Sommers.
Elenco: Brendan Fraser, Rachel Weisz, John Hannah, Arnold Vosloo, Oded Fehr, The Rock. 127 min.
Site Oficial

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Setembro 2001