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Cidade
dos Sonhos
Mais
um enigma do diretor de "A Estrada Perdida"
Por
Diogo Henriques
David
Lynch é certamente um dos diretores mais
estranhos e inventivos de Hollywood. Fascinado
por histórias bizarras , é capaz
de produzir filmes tocantes como O Homem
Elefante, e suspenses primorosos como
Veludo Azul. Ultimamente, no entanto,
Lynch vem dando mostras de seu gosto por histórias
enigmáticas. Foi assim em A Estrada
Perdida e agora em seu novo longa, Cidade
dos Sonhos, o tipo exato de filme que
merece ser visto duas vezes, e não necessariamente
por sua excelência.
Durante a primeira hora de exibição,
Cidade dos Sonhos passa perfeitamente
por um filme convencional, que tem início
com um acidente de carro na tal estrada que dá
nome à fita. No acidente, Rita (Laura Harring)
perde a memória e vai parar em uma casa
na qual Betty (Naomi Watts) chega subitamente.
As duas logo se tornam amigas e Betty decide ajudar
Rita a tentar redescobrir sua identidade.
A trama prossegue normalmente durante um bom tempo,
até que o roteiro dá uma reviravolta
e um nó na cabeça do espectador.
De um minuto para o outro percebemos que os personagens
não são o quê (nem quem) aparentam
ser. Um deles aponta a chave do enigma proposto
por Lynch, ao repetir mais de uma vez que "Tudo
é uma ilusão".
Com Cidade dos Sonhos, David Lynch
arrebatou o prêmio de direção
no Festival de Cannes desse ano. Não se
pode negar que o americano tem gênio e estilo.
Seu novo filme é complexo e esquisito,
mas vale o repeteco, nem que seja pra ver se faz
ou não sentido. Mas ainda que isso não
aconteça, Cidade dos Sonhos já
terá valido por uma de suas cenas: a da
assustadora cantora espanhola e seus lamúrios
arrepiantes.
Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive, EUA/França,
2001).
De David
Lynch.
Elenco: Justin
Theroux, Naomi watts, Laura Harring.
145 min.
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Oficial
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