Natalie Merchant - Motherland

Natalie Merchant - Motherland
Melodias agradáveis ao som da voz de Natalie Merchant

 

Por Eddie Schäfer

Esqueça por um segundo as cantoras apelidadas de bad girls. Pronto, neste quadro temos Natalie Merchant. Uma das vozes femininas de maior prestígio entre o público em geral - além de ser uma artista que sempre teve uma postura mais comportada em relação às outras. Assim como muitas, suas letras são introspectivas e tristes; por sinal, muito tristes. A crítica americana até brinca que a cada álbum a cantora grava canções mais depressivas. Mas isso não é motivo para julgar o teceiro álbum gravado em estúdio, e quarto da carreira solo de Merchant - Motherland. O disco conquista muito facilmente os fãs da cantora e tem grandes chances de agradar até mesmo àqueles que ainda não a conhecem.

Dona de uma bela voz grave e pretensiosa, Natalie explora novos ritmos no seu mais recente trabalho. Há quem diga que a Folk Tour é a grande reponsável pelas inovações do gênero, principalmente nas canções com o estilo da turnê. Mas, como aconteceu nos seus discos anteriores, há baladas e canções que serão sucesso certeiro. Como é o caso de uma das melhores faixas do disco, e o primeiro single, "Just Can´t Last", na qual voz da cantora é acompanhada por uma guitarra que funciona como um backing vocal quando canta: "I know you have the weight of the world today, it's on your back...". "Just Can't Last", assim como "Tell Yourself", são músicas que soam "familiares" na voz de Merchant.

"This House is on Fire" poderia ser a trilha sonora da atual rivalidade entre os Estados Unidos e o Afeganistão. O início conta com o estilo árabe (que mudam para o reggae no meio da música) e frases como "não tenho o dom da profecia para contar a todos como tudo será...". Mas nada é proposital, afinal de contas, o disco estava pronto antes dos atentados terrorristas ao World Trade Center. Já a faixa título tem um início que poderia entrar na trilha de um filme de máfia italiana, na cena em que o mafioso lembra da terra natal. Mas um ritmo folk vai tomando conta de toda a melodia e da voz da cantora, que sobe melodicamente no refrão, junto com o tom.

"Build a Leeve" (com participação da cantora gospel Mavis Staples) e "Putting the Law", um blues, têm seus pontos altos nos refrões, principalmente a primeira, que é um dueto. Já "Saint Judas" e "Golden Boy" trazem batidas bem marcantes. A primeira com um folk acompanhado de guitarras, enquanto a outra, uma das melhores letras escritas por Natalie, segundo a crítica, faz a voz sedutora de Merchant se perder na melodia.

"The Ballad of Henry Darger", um acompanhamento de cello e quarteto de cordas, conta a história, mesclando com o mundo artístico, de Henry Darger (1892 - 1972). A unicidade e fragilidade da canção, para aqueles que conhecerem a história do artista, são sentidas desde sua letra até a voz delicada de Merchant. Já "I´m not Gonna Beg" traz um piano, tocado pela própria, acompanhado da percussão de Matt Chamberlain, em uma melodia triste com frases como: "I'm not gonna beg you for nothing. I'm not gonna beg you for your love".

Outra novidade neste trabalho é a troca de produtores. Sai Daniel Lanois, entra T-Bone Burnett, que já produziu a banda do filho de Bob Dylan, The Wallflowers. E destaque é a presença do conceituado baterista Matt Chamberlain, que já tocou com Macy Gray, Fiona Apple, Tori Amos, Garbage e, em breve, estará no disco da brasileira Badi Assad.

Natalie Merchant está, cada vez mais, firmando-se em sua carreira solo - vale para os que não a conhecem que em 1994 ela saiu do 10, 000 Maniacs. Aqueles que já a conheciam aprovam o seu trabalho, e os que não tiveram o privilégio de escutar sua voz irão se arrepender. Motherland não pode ser considerado o melhor trabalho solo de Merchant, afinal Tigerlily e Ophelia são dois excelentes e indispensáveis álbuns, mas também não sai perdendo em nenhum momento.

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Janeiro 2002