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O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel
Clássico
nas páginas e agora nas telas
Por
Eddie Schäfer

"Três
anéis para os Reis Elfos sob este céu,
sete para os senhores-anões em seus rochosos
corredores, nove para os homens mortais, condenados
ao eterno sono, um para o senhor das trevas em
seu negro trono na Terra de Mordor onde moram
as sombras. Um anel para a todos dominar; um anel
para encotrá-los, um anel para a todos
trazer e nas trevas aprisioná-los na Terra
de Mordor onde moram as trevas."
Durante
os três anos antes do lançamento
de O Senhor dos Anéis, não
se comentou outra coisa em sites e listas de cinema,
a não ser a adaptação da
obra de J.R.R. Tolkien (uma trilogia literária
de 1954) para as telas do cinema. Peter Jackson
é um diretor de coragem, determinação
e muita, muita sorte. Coragem por ter um compromisso
com milhares de fãs da clássica
saga; e sorte devido ao sucesso do primeiro filme
que refletirá nas outras duas produções
(As Duas Torres
e O Retorno do Rei).
O
estúdio da New Line arriscou uma bolada,
em torno de 300 milhões de dólares,
no projeto de Jackson. Caso este, O Senhor
dos Anéis - A Sociedade do Anel,
fosse um fracasso de bilheteria, possivelmente
as continuações teriam o mesmo destino.
Mas aqui o diretor não errou, como aconteceu
com o seu colega Chris Columbus, diretor de Harry
Potter e a Pedra Filosofal. Em nenhum
momento O Senhor dos Anéis
tem a narrativa cansativa (já que são
três horas de projeção) ou
deixa de explorar os seus personagens. Afinal,
Jackson tinha consciência do fardo que carregava
na adaptação da obra, já
que também é um grande fã
de Tolkien.
Alguns
desconheciam o diretor neozelandês Peter
Jackson. Dirigiu poucos filmes, entre eles: Trash
- Náusea Total, o sangüinário
Fome Animal (clássico do
extinto Cine Trash da Bandeirantes, apresentado
por Zé do Caixão), o drama Almas
Gêmeas (um romance conturbado de
duas adolescente, com Kate Winslet) e o terror
hollywodiano Os Espíritos.
Mas o diretor é detalhista e genioso neste
novo trabalho. Uma nova fase. Vale lembrar que
ele foi responsável pela clássica
cena trash na qual zumbis são massacrados
por um cortador de grama (Fome Animal).
O Senhor dos Anéis é
repleto de detalhes: atuações, direção
de arte, figurinos, maquiagem e fotografia causam
harmonia geral na película - o filme deve
arrebatar vários Oscars na categoria técnica
e também nas principais. Há quem
diga que o diretor até contratou estudiosos
das línguas inventadas por Tolkien para
montar o roteiro, e desenhistas familiarizados
com a Terra-Média. O resultado é
um mundo de imaginação ao qual somos
levados e apresentados. Não é à
toa que os jornais da Europa classificaram o filme
como "a primeira maravilha cinematográfica
de 2001". Até mesmo aqueles que
não conhecem a obra terão facilidade
de entedê-lo. (Leia
a crítica de quem leu o livro e assistiu
ao filme)
Tudo
começa com uma narração (reproduzida
no início do texto) sobre a criação
de diversos anéis que foram distribuídos
na Terra-Média. O de Sauron é um
anel forjado, que governará a todos. Quando
derrotado na Segunda Era, o Um Anel cai nas mãos
de um homem (que deveria destruí-lo), mas
é dominado pela ganância e poder.
Depois disso, o Um Anel é encontrado por
Gollum, que, cerca de 500 anos mais tarde, o perde,
fazendo com que o hobbit Bilbo (Ian Holm) o encontre.
A
história ganha andamento quando o hobbit
Frodo (o ex-astro infantil, Elijah Wood), herda
o Um Anel de seu tio Bilbo, que deixa o Condado
(povoado dos Hobbits - seres menores que os anões,
de pés grandes e peludos) ao completar
111 anos. Frodo aceita a responsabilidade de levar
o Um Anel para longe do vilarejo para o seu povo
não ser ameaçado, e para destruí-lo.
O
mago Gandalf (Ian McKellen, em mais uma bela atuação,
é responsável por um dos momentos
mais marcantes do filme) é quem explica
a importância de destruir o Um Anel para
Frodo e não deixar que caia em mãos
erradas, principalmente nas de Sauron. Este está
procurando o anel desesperadamente para, assim,
escravizar todos na Terra-Média. E dessa
forma, o pequeno hobbit Frodo começa sua
aventura. Durante o andamento do filme vários
personagens vão aparecendo para se juntar
ao portador do artefato, até a formação
da Sociedade do Anel: Gandalf, os hobbits Sam
(Sean Astin) - fiel amigo de Frodo -, Merry (Dominic
Monaghan) e Pippin (Billy Boyd), o elfo Legolas
- ágil no arco-e-flecha -, o anão
Gimli (John Rhys-Davies), que luta com um machado,
e os humanos Aragon (Viggo Mortensen), mestre
com a espada, e Boromir (Sean Bean). Esses nove
formam a Irmandade do Anel, tendo como dever defender
e ajudar Frodo a destruir, na Montanha da Perdição
onde foi criado, o Um Anel.
Merecem
destaque ainda as atrizes Liv Tyler, como a princesa
élfica Arwen, e Cate Blanchett no papel
da Rainha da floresta de Lorien, Galadriel. Mesmo
com vários personagens, Jackson não
deixa nenhum deles com uma história pendente.
Algumas aparições duram alguns minutos,
mas todos tem um papel fundamental na trama. Nada
é gratuito.
Vale
mencionar, além de toda a parte técnica
do filme, a trilha sonora.
Composta por Howard Shore, a música expressa
cada cena, seja nas ações mais dramáticas
ou de aventuras. Shore já assinou várias
trilhas, entre elas: Ed Wood (de
Tim Burton), Seven - O Sete Crimes Capitais
(de David Fincher), O Silêncio dos
Inocentes (de Jonathan Demme), entre outros.
A música instrumental repleta de arranjos
e coros, passa toda a idéia gótica
e de fantasia com a qual são constituídos
os cenários, a trama e os personagens.
Até mesmo, as canções da
cantora New Age Enya combinam e harmonizam com
o clima. Destaque é a faixa "May
It Be" durante os créditos.
Após
três horas de aventura, drama, magia e tensão,
quando tudo parece estar apenas começando
- afinal, o tempo realmente passa muito rápido
- os créditos aparecem e as luzes se acendem.
Mesmo que você tivesse esquecido que aquilo
era um mundo de sonhos, é hora de voltar
a realidade. Muitos antes de lotarem as salas
de cinema para assistirem a segunda fase do filme,
já terão lido o livro. E depois
estarão preparando-se para o capítulo
final. O único defeito de O Senhor
dos Anéis - A Sociedade do Anel
é ter que esperar até 2003 para
assistir o resultado final da trilogia. E, nem
precisa ser vidente, será outro sucesso.
O
Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel
(The Lord of the Rings: The Fellowship of the
Ring, EUA, 2001).
De Peter
Jackson.
Elenco: Elijah Wood, Ian Mckellen, Viggo Mortensen,
Sean Astin, Orlando Bloom, John Rhys-Davies, Billy
Boyd, Dominic Monagham, Sean Bean, Liv Tyler,
Cate Blanchett, Hugo Weaving, Ian Holm, Christopher
Lee. 178 min.
Site
Oficial
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