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O
Senhor dos Anéis: As Duas Torres
De
minha parte, só bocejo
Por
Daniel Libarino
Quando
o cinema resolve transpor uma popular obra literária
para as telas, o resultado costuma, por motivos
óbvios, ser analisado minusciosamente
pelos
fãs ardorosos do respectivo livro, com
o intuito de testar a fidelidade do roteiro
para com sua fonte. De acordo com um garoto
que sentara ao meu lado na sessão lotada
da estréia de O Senhor dos Anéis
- As Duas Torres, o filme contém
muitas alterações em relação
às escritas de Tolkien. E ele parece
não ter gostado muito disso (deixou isso
claro durante os 179 minutos de projeção,
já que não parou de falar nem
por um minuto).
Eu
não li o livro, então, não
posso me pronunciar sobre o que é igual
e o que foi alterado. Digo, porém, que
esta segunda parte da trilogia consegue ficar
ainda aquém da primeira (que já
era ruim). O miolo da saga carece de muita emoção.
O filme é sonolento. O diretor Peter
Jackson poderia ter deixado o trabalho bem mais
enxuto cortando algumas partes extremamente
desnecessárias para a trama, que peca,
principalmente, pela repetição.
Não há nada de muito novo a ser
contado, é tudo uma grande enrolação.
O roteiro, por exemplo, estende demais a relação
entre um "Ent" (ser semelhante a uma
árvore) e dois Hobbits que foram capturados
no episódio anterior. As cenas são
um tédio, beirando o insuportável.
Outro grande problema é a previsibilidade
de muitas das situações (como
a volta de Gandalf), e Peter Jackson não
faz questão alguma de disfarçar
o fato. Além disso, seus ângulos
de câmera decepcionam profundamente. As
cenas de batalha não conseguem transmitir
qualquer emoção e, apesar de não
terem o aspecto videocliptico do primeiro filme,
ainda assim deixam uma leve e desagradável
sensação de preguiça e
falta de ousadia por parte do diretor.
As Duas Torres ainda peca pelo
mau uso de bons personagens. Gimli, um anão
que fazia parte da sociedade do anel, recebe
um insosso e grosso toque de humor. As piadas
são fracas, repetitivas, simplesmente
não funcionam. E, de acordo com o garoto
ao meu lado, "o personagem não era
assim no livro, feito de bobo". O filme
falha também quando insiste em dar maior
destaque ao romance entre Aragon (Viggo Mortensen)
e Arwen (Liv Tyler), de raças diferentes.
A mensagem de "um amor impossível
que vencerá barreiras" que quer
transmitir é pueril. E repetitiva. E
boba.
É
imperdoável também como Peter
Jackson trata o personagem Gollum - de longe,
a melhor coisa do filme. Ex-Hobbit, a criatura
teria seu momento antológico ao demonstrar
mais claramente sua ambiguidade, quase como
uma dupla personalidade. Mas com sua mania de
querer cortar tudo, de não se preocupar
em realizar uma cena mais profunda, com uma
só tomada, o diretor põe tudo
a perder.
E Frodo? O guardião do Um Anel, o personagem
principal de O Senhor dos Anéis
- As Duas Torres? Ele mal aparece, assim
como seu companheiro, Sam. É um desperdício,
já que o personagem, que vai se tornando
cada vez mais sombrio e enigmático no
decorrer da trama, mal tem o que fazer nessa
segunda parte da trilogia. Além disso,
o filme dá pouco sinais dessa sua transformação.
Enfim, é mais do mesmo, e é pior
que o primeiro. Quem for fã vai adorar.
De minha parte, só bocejo.
O Senhor dos Anéis - As Duas Torres
(The Lord of the Rings: The Two Towers, EUA,
2002).
De Peter
Jackson.
Elenco: Elijah Wood, Ian Mckellen, Viggo Mortensen,
Sean Astin, Orlando Bloom, John Rhys-Davies,
Billy Boyd, Dominic Monagham, Sean Bean, Liv
Tyler, Cate Blanchett, Hugo Weaving, Miranda
Otto, Christopher Lee. 179 min.
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Oficial
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