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Lavoura
Arcaica
Um
filme esplendoroso, como há muito não
se via no cinema brasileiro
Por
Diogo Henriques

Quem
já leu Lavoura Arcaica, obra-prima
do escritor paulista Raduan Nassar, pode imaginar
a dificuldade que teve Luiz Fernando Carvalho
em adaptá-la para o cinema. Estreante na
tela grande, o diretor de novelas da Globo provou,
no entanto, que talento não lhe falta,
ao aparecer com um filme de raro esplendor na
cinematografia brasileira.
O ponto de partida de Lavoura Arcaica é
a fuga de André (Selton Mello) da casa
da família, no interior de São Paulo.
Pedro (Leonardo Medeiros), seu irmão mais
velho, é encarregado pela mãe de
trazê-lo de volta. O filme tem início
com o encontro dos dois, e o diálogo em
que André expõe as razões
de seu exílio e solidão: a paixão
incestuosa por Ana (Simone Spoladore), o amor
sufocante da Mãe (Juliana Carneiro da Cunha)
e a opressão ferrenha do Pai (Raul Cortez).
Lavoura Arcaica, o filme, é
denso e difícil como o livro em que foi
inspirado: é hermético, estético,
experimental, mas nem por isso ralo ou vazio.
Se nada em Lavoura Arcaica parece
convencional, isso não se deve ao delírio
e às obsessões do diretor pela simples
busca de uma beleza exótica. A narrativa
do filme, ao contrário, foge do comum exatamente
por tentar traduzir o espírito soturno
e angustiante do romance de Nassar e, por essa
razão, abre espaços contínuos
para improvisação e experimentação.
A música de Marco Antônio Guimarães
e a fotografia de Walter Carvalho cumprem bem
sua missão, ao manter durante todo o tempo
a atmosfera tensa em que se passam os acontecimentos
do filme. E os atores apresentam sem exceção
um desempenho exuberante, até mesmo os
que não têm uma fala sequer durante
toda a fita.
É certo que alguns acusarão Lavoura
Arcaica. Dirão que é pretensioso,
pedante, pseudo-arte, e que o cinema nacional
está perdido. Paciência... Lavoura
Arcaica é um filme que vale cada
minuto de suas quase três horas de projeção.
Lavoura
Arcaica (Brasil, 2001).
De Luiz Fernando
Carvalho.
Elenco: Selton Mello, Raul Cortez, Juliana Carneira
da Cunha, Leonardo
Medeiros.
165
min.
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