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John
Mayer - Room for Squares
Belíssima
estréia
Por Eddie
Schäfer
"There´s a time for every star..."
(em português: Toda estrela tem sua hora).
Essa é uma frase de Nikka
Costa que se aplicaria muito bem a John Mayer.
É impressionante o número de artistas
que surgem no disputado mundo fonográfico.
Poucos conseguem sobressair, muitos são
rejeitados, enquanto outros têm seus destinos
traçados e através de muita dedicação
alcançam os seus objetivos.
John Mayer vem recebendo o merecido prestígio
depois de uma crítica de quatro estrelas
da prestigiada revista norte-americana Rolling
Stone - cotação muito boa para um
disco de estréia. Esse fato, contribui
para que Room
for Squares, lançado em setembro
do ano passado, ocupasse por várias semanas
as listas dos dez mais vendidos nos Estados Unidos.
Este jovem de 23 anos, encanta com a sua habilidade
no violão, fazendo do disco um verdadeiro
trabalho acústico. Uma fusão da
musicalidade da Dave Matthews Band, a vocalização
de Jakob Dylan, o grau de composição
de David Gray e a agilidade
no instrumento própria de Alana
Davis. Quem acreditou nesse jovem promissor
foi John Alagia, produtor que já trabalhou
com a Dave Matthews Band e o Ben Folds Five.
"No
Such Thing",
primeira faixa do disco, tem um violão
e uma melodia ágil que dita o tempo exato
da percussão acompanhada de um teclado.
A acústica "My Stupid Mouth",
uma das faixas mais bonitas do disco, dispensando
qualquer percussão ganha relevância
na voz frágil e sincera de quem viveu as
conseqüências da exposição
e do arrependimento ("I'm never speaking
up again it only hurts me, I'd rather be a mystery
than she desert me. I'm never speaking up again,
starting now").
"Not Myself" traz belos arranjos
no violão, acompanhada de um órgão,
guitarra e de um violino no final da canção.
Aqui, questiona-se se ainda será aceito
pela parceira mesmo quando perder a cabeça,
como esclarece em frases diretas como: "Would
you want me when I'm not myself?".
Em "Your Body is a Wonderland"
Mayer procura refúgio enquanto em "Love
Song for No One" expressa a condição
de estar cansado de não poder compartilhar
seus sentimentos com alguém ("I'm
tired of being alone"). A primeira numa
melodia vagarosa, a segunda em um ritmo mais excitante,
dando mais espaço para guitarras.
"Neon"
tem um violão espontâneo dedilhado,
lembrando muito o estilo da Dave Matthews Band,
enquanto "83" é conduzida
por pequenos acordes e uma letra intimista. O
folk rock "3X5" (assim como "My
Stupid Mouth" é notável
a presença de espírito de Mayer)
é a faixa em que a percussão de
Nir Zidkiyahu (que já trabalhou com o Genesis
e Alana Davis) ganha presença maior ao
lado da gaita e do indispensável violão
do cantor.
Room
for Squares
fala sobre desilusões amorosas, a falta
de uma pessoa amada e é regado de sentimentalismo.
Porém, não se justifica em frases
como "I Love You", "I
Want you", mas sim em pequenas coisas
como: um olhar, um sorriso ou até mesmo
a apreciação de um nascer do sol
sozinho quando gostaria de estar acompanhado.
Mas, se John Mayer demonstra-se um apaixonado,
também apresenta ainda uma certa ingenuidade
em algumas frases ("They read all the
books but they can't find the answers").
Musicalmente, vários instrumentos como
órgãos, violinos, cellos, violas
são inseridos em algumas faixas, mas a
prioridade é a de destacar o talento de
Mayer no violão fazendo deste, um álbum
"semi- acústico".
Room
for Squares
é um trabalho com belas composições
que harmonizam, com seus arranjos, todo o universo
do cantor. O disco deve render para John Mayer
algumas indicações e prêmios
de revelação - o que não
seria injusto. Realmente, toda estrela tem sua
hora. E a hora de Mayer é agora.
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