Jewel - This Way

Jewel - This Way
Ousadia e inovação marcam o quarto trabalho da loirinha

Por Fernando Passos

Dia 13 de novembro (2001) chegou às lojas do Brasil o quarto álbum de Jewel, a cantora folk loirinha que veio do Alasca. This Way vem recheado de músicas, em sua maioria, já conhecidas pelos fãs, por serem freqüentemente tocadas ao vivo como b-sides - porém todas retrabalhadas e gravadas em estúdio. Algumas completamente mudadas, outras apenas melhoradas por efeitos de sintetizador, guitarras ou bateria adicionais, ou até pequenas modificações nas letras. O resultado é um álbum que, podendo ter sido previsível ou repetitivo, surpreende tanto ao fã incondicional quanto a quem nunca ouviu falar de Jewel.

O ponto forte de This Way é o experimentalismo, a audácia da cantora de explorar novas tendências a uma categoria musical pouco inovada ultimamente, o folk. Sons eletrônicos ou uma simples batidinha diferente dão um tom único e agradável às músicas do álbum, que marca a estréia de Jewel como co-produtora. Canções como “The New Wild West” e “Serve the Ego”, pontos altos de This Way, dão aquela impressão de “Isso é Jewel mesmo?” ao ouvinte. E o bom e velho rock’n’roll “Love Me Just Leave Me Alone”, em êxtase, soa como um Neil Young versão feminina.

A diferença entre This Way e os álbuns anteriores de Jewel é que ela, dessa vez, mostra-se mais ousada e disposta a desfazer a imagem angelical que lhe foi atribuída após o lançamento de seus dois últimos álbuns, Spirit e Joy. A cantora agora está mais crítica, irônica e, por algumas vezes, desafiadora, dando a idéia de que a adolescente atrevida de Pieces Of You voltou, já crescidinha.

Mesmo com todos os fortes e qualidades, This Way tem certos momentos infelizes. A música que dá nome ao álbum, por exemplo, soa um pouco como a nova balada da Britnéia, pra não ser muito cruel. O mesmo acontece com "Standing Still" - e tudo isso devido não à sonoridade, mas a frases um tanto quanto comerciais (“do you want me like I want you?”), características da música Pop da atualidade. Contudo, fazem valer o sentimento e simplicidade que essas músicas transmitem. E ei, pelo menos Jewel compõe suas próprias canções.

Um outro ponto negativo é um problema que parece acompanhar Jewel desde Pieces Of You: uma certa falta de aproveitamento da voz. Está certo e comprovado que o uso excessivo de gritinhos, agudos e berros estridentes levam fãs ao enjôo e artistas ao esquecimento, mas certas vozes vão muito além disso e possuem uma essência tão bonita que é quase pecado não explorá-las. E tal pecado acontece em metade das músicas de This Way, que pedem um pouco mais de empolgação vocal, um agudozinho ou simplesmente uma nota mais estendida. E Jewel pode, qualquer um sabe disso – a moça arrasa ao vivo, e as provas são as duas últimas faixas do álbum, tiradas de apresentações em shows.

Medindo os altos e baixos em This Way, sem sombra de dúvida os altos vencem. Jewel acertou mais uma vez, lançando um lindo trabalho simples e puro como sempre, que merece o reconhecimento de qualquer aficcionado por boa música. Colocando-se Pieces Of You, Spirit e This Way lado a lado, temos uma trilogia musical surpreendente.

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Dezembro 2001