|
A
Inglesa e o Duque
Novo
filme de Eric Rohmer é um dos mais aguardados
do Festival do Rio
Por
Diogo Henriques

O
que mais chama a atenção em A
Inglesa e o Duque, do francês Eric
Rohmer e exibido durante o Festival do Rio (2001),
não é propriamente a história
que o filme conta, mas principalmente sua concepção
visual.
Os acontecimentos em A Inglesa e o Duque
se passam durante o período jacobino
da Revolução Francesa, o mais radical
e conhecido também como "Terror".
Grace Elliot (Lucy Russel) é a inglesa
do título, monarquista e defensora do rei.
Jean Claude Dreyfus vive o Duque d'Orleans, com
quem Grace mantém um caso conturbado, devido
à divergências políticas entre
os dois.
A partir dessa história simples, Eric Rohmer
explora com precisão o absurdo jogo do
poder durante a guerra, a tensão, o medo,
a intolerância e a violência gratuita
na França da época. A Inglesa
e o Duque é um típico filme
violento, ainda que não seja propriamente
sangrento.
No entanto, o mais interessante no filme é
a solução fotográfica encontrada
por Rohmer e sua diretora de arte para ambientar
a época em que A Inglesa e o Duque
se passa. Ao invés de optar por
uma reconstrução em estúdio
da França revolucionária, Rohmer
preferiu situá-la ao espectador introduzindo
digitalmente na tela pinturas que retratam esse
momento histórico. Assim, a maior parte
do que se vê em A Inglesa e o Duque,
ao longo de suas duas horas de projeção,
são os atores interagindo com cenários
digitalizados.
O artifício é interessante e original,
principalmente em se tratando de um filme francês
de época. Mas seu uso constante se torna
cansativo e faz com que certas cenas pareçam
às vezes muito artificiais. O que não
chega a comprometer o filme, um dos mais bem sucedidos
do Festival e exibido sempre em seções
lotadas.
A
Inglesa e o Duque (L´anglaise et
le duc, França, 2001).
De Eric Rohmer.
Elenco: Lucy Russel, Jean Claude Dreyfus, François
Marthouret.
125 min.
|