Imogen Heap - I Megaphone

Imogen Heap - I Megaphone
Muito talento para uma desconhecida

Por Eddie Schäfer

É uma pena. Mais uma vez a "velha" história se repete.
Enquanto as rádios tocam toda hora músicas de cantoras adolescente que por causa de uma pequena decepção amorosa se julgam problemáticas, e além de terem necessidade de fazer suas carreiras comentando sobre ser ou não ser virgem - eis a questão, muita gente deixa de conhecer grandes talentos como: Tori Amos, Aimee Mann, Paula Cole (que é muito mais do que "I Don´t Want to Wait" - tema do chatinho seriado Dawson´s Creek), e muitas outras.

Esse fato também ocorre com a talentosa cantora Imogen Heap. Aos 19 anos de idade, essa inglesa lançou o seu primeiro álbum, chamado de I Megaphone - só pelo título já se pode esperar alguma coisa - na verdade é um anagrama que a cantora faz com o próprio nome.

A primeira impressão que você vai ter quando escutar o álbum é que a cantora ficou um bom tempo escutando seus álbuns de Tori Amos antes de entrar em estúdio ou até mesmo para compor suas letras, mas talvez seja por isso que o trabalho, também, é tão bom. Sua voz lembra um pouco a da cantora Fiona Apple, principalmente nas faixas: "Oh Me, Oh My" e "Come Here Boy" e até mesmo algumas características da canadense Alanis Morissette. Em suas letras, Imogen comenta sobre relações e desilusões amorosas, religião, culpa, ódio e também canta sobre quem realmente ela é, mas mesmo assim, ainda tem suas dúvidas.

A primeira faixa "Getting Scared" começa com uma leveza até que começam a surgir mixagens (presente quase em todo o álbum) e a cantora de repente, parece que muda de personalidade quando canta o refrão. Em "Sweet Religion" começa com um piano que ao longo da música se perde entre a percussão. "Oh Me, Oh My" me lembrou muito a canção de Fiona Apple, "Criminal", mas a música atinge o seu ponto máximo quando ela de repente pergunta: "God, are you there? Are you out there?...If So Where are you hiding, I´m having trouble to finding you". A faixa "Angry Angel" começa com um grito meio que sátiro e sua letra comenta sobre não sentir culpa por nossas ações que podem não ser bem vista pelas outras pessoas.


Piano está, geralmente, presente em todas suas canções, mas tem um grande destaque na faixa "Candlelight" que lembra muito as músicas que Tori Amos toca, mas mesmo assim a canção não perde a sua qualidade. "Rake it In" - uma das minhas favoritas, começa com um piano de estilo clássico, mas o interessante dessa música é que apesar das grandes variações, como um momento em que a cantora começa a soltar gritos, a música volta para o mesmo estilo que começou.

Porém, agora no final, a voz tem mais expressão do que no começo da canção.
"Come Here Boy" comenta um romance que está morrendo, dizendo que ao mesmo tempo que os sentimentos dela pela o homem que gosta estão aumentando, os dele estão diminuindo, e ainda diz que ela não é nenhuma estranha nos sonhos dele. Uma música que lembra um pouco a voz de Fiona Apple (para quem está com saudades é bom).

O disco acaba com a canção "Sleep", que como o nome da faixa sugere, é hora de descansar. Mais parece uma cantiga de ninar, com um piano bem suave e simples, e até mesmo parecendo que a cantora vai mesmo é dormir, pois é uma das formas de que ela se sente bem com ela mesma, segundo a minha interpretação da letra.

Mais um disco que deve ser prestigiado, apesar da pouca propaganda - que, às vezes, até é bom, pois alguém aqui ainda suporta escutar o que toca de cinco em cinco minutos nas estações de rádio?

<<< Voltar
Maio 2001