Hannibal

Hannibal
Quando se quebra o silêncio

Por Eddie Schäfer

Depois do sucesso de O Silêncio dos Inocentes, que arrebatou os cinco Oscar principais - inclusive o de filme - o encontro entre Clarice Starling, interpretada por Jodie Foster (no filme de 91), e Hannibal Lecter passou a ser uma das sequências mais aguardadas do cinema.
Dizer que fizemos muito barulho por nada e que o filme é desnecessário pode ser uma injustiça ao trabalho dirigido por Ridley Scott - que poderia ter ganhado o Oscar por Gladiador, mas acabou perdendo para Steven Soderbergh pelo excelente Traffic. Hannibal poderia ter tido um roteiro muito mais excitante e elaborado se tivesse sido mais fiel ao livro de Thomas Harris que leva o mesmo nome.

Essa continuação se passa exatamente dez anos depois da fuga de Hannibal Lecter. No livro, o primeiro paradeiro de Lecter é o Brasil, onde se encontram o melhores cirurgiões plásticos. Porém, logo depois da transformação no seu rosto (calma, no filme Anthony Hopkins está intocável), ele resolve levar uma vida boa em Florença, onde tem o cargo de diretor de uma biblioteca depois do desaparecimento do oficial ocupante do cargo. Lecter, agora com nova identidade - Dr. Fell, conhecido pelo seu extremo bom gosto, não poderia ter se instalado em um lugar mais sofisticado para morar - ou você achou que ele estaria veraneando numa praia do Rio de Janeiro?

Enquanto isso, nos Estados Unidos, Clarice Starling é afastada do FBI, que a obrigando a devolver sua identificação e arma depois de uma operação fracassada. Nessa ela teve que matar uma mulher com um bebê, por legítima defesa. Porém, durante esse período de reclusão, Starling recebe uma carta de Lecter, que na verdade foi enviada pelo milionário Manson Verger, vítima do canibal e que sobreviveu. Verger tem o rosto desfigurado e quer achar o Doutor onde for preciso para servir de jantar aos seus porcos selvagens.

Anthony Hopkins está, novamente, muito assustador no papel do Dr. Lecter. Achei-o até mais aterrorizante, pois desta vez não está preso em uma gaiola de vidro e, sim, passeando com muita classe pelas ruas da Itália. Agora no papel da agente do FBI está a atriz Julianne Moore, de Magnólia, sempre ótima (Posso até ser um pouco suspeito de falar sobre a atriz, pois a considero uma das melhores da atualidade). A falta de Jodie Foster no filme nem será um grande problema, pois já nos primeiros minutos você se acostuma com o talento da atriz que assumiu o papel dessa vez. Moore consegue fazer com que o telespectador fique angustiado nas horas em que ela e o Dr. Lecter falam por telefone ou até mesmo quando, finalmente, os dois personagens se encontram num jantar "formal".

Até Gary Oldman (irreconhecível), que está desfigurado no papel do milionário Manson Verger, está muito bem representado (e maquiado) numa interpretação não creditada. E o filme já tem uma cena que, provavelmente, irá virar um clássico do cinema: um cérebro humano vai sendo degustado enquanto a sua vítima ainda está viva. O problema é que seu dono é quem come e não o Doutor.

Há ainda uma participação de Giancarlo Giannini (de Pasqualino, Sete Belezas) como o policial italiano que descobre Lecter e não divulga ao FBI o paradeiro do canibal, pois está mais interessado na recompensa de Verger pelas informações dadas.
Uma pena que o roteiro tenha deixado personagens fundamentais do livro fora da versão cinematográfica, pois a morte do milionário Manson Verger não é provacada pelo seu enfermeiro e Clarice pode não ser tão boazinha como Julianne Moore parece nas telas. O filme não precisa ser um sucesso de crítica, mas com certeza será um sucesso de público. Merece ser assistido.


Hannibal (Hannibal, EUA, 2000).
De Ridley Scott
Elenco: Anthony Hopkins, Julianne Moore, Ray Liotta, Giancarlo Giannini, Gary Oldman. 135 minutos.
Site Oficial

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Maio 2001