Fast Food, Fast Women

Fast Food, Fast Women
Idéias curtas, filme light

Por Daniel Libarino

O cinema independente americano vem sendo, ao longo dos últimos tempos, cultuado por cinéfilos de todo mundo, devido à originalidade das histórias e ao olhar despojado dos respectivos diretores, díspares da pipoca feita por Hollywood. Há muitos bons exemplos que vieram desta safra nos últimos anos - de Magnólia à Bruxa de Blair - e agora temos este Fast Food, Fast Women, comédia um tanto simpática dirigida por Amos Kollek.

Ganhador do prêmio do júri ecumênico em Cannes 2000, o filme dividiu a crítica mundial, principalmente por sua leve semelhança com as obras de Woody Allen, que vão desde os créditos iniciais até à sutileza com que são tratados os temas principais da trama - que desde já, não apresenta nada de muito novo. Isto sem falar, claro, do local onde tudo acontece, Nova York. Mas estes possíveis detalhes que, à primeira vista, parecem mais um pastiche do rei da neurose, no fim, importam pouco. Fast Food, Fast Women ganha mais pontos pelo elenco, que dá um show de competência e carinho. Salva o filme.

O roteiro começa dando um toque histérico (e estranho) à fábula. Bella (Anna Thompson, surpreendente) deita calmamente no meio da rua e quase é atropelada por um carro. Calma, não contei nada de muito importante, este detalhe inicial nem fará diferença para o que vem em seguida, foi só um toque de ironia que o diretor tentou inserir na trama leve. Se deu mal, pois minutos depois, percebemos que aquela atitude dificilmente viria da personagem, como podemos conferir no resto do filme, ou, pelo menos, o roteiro não dá motivo algum para pensarmos desta forma. Em suma, foi desnecessário.

A vida de Bella parece não tomar rumos muito radicais. Trabalha meio que insatisfeita como garçonete em uma lanchonete e está de caso com um homem casado, que, pasmem, só a enrola. Eis que um dia conhece, por intermédio de sua mãe, um motorista de táxi (Jamie Harris) que, de um dia para o outro, passa a cuidar de duas crianças pequenas. Com medo de afastá-lo e seguindo o conselho de uma amiga, a moça, que está prestes a completar 35 anos, esconde-lhe seu desejo de casar e ter filhos.

Paralelamente vemos a história de homem maduro e sozinho (Robert Modica), freqüentador da lanchonete em que trabalha Bella, que responde a um classificado de jornal no qual havia uma mensagem de uma mulher (Louise Lasser, fabulosa) em busca de companhia. Os encontros de ambos resultam nas melhores e mais inspiradas cenas do filme, que transmitem toda sensação de felicidade pela qual, de uma forma ou de outra, todos os personagens de Fast Food, Fast Women procuram em sua jornada. Se encontrarão ou não, já é outra história...

Ainda não concordo com quem compare este filme aos de Woody Allen. Aqui, faltaram os diálogos debochados que são uma das principais características do diretor. Amos Kollek realizou uma obra otimista (até demais), para dizer a verdade. Mas faltou certa graça no desenrolar da trama que, de vez em quando, torna-se insípida, beirando o tédio, como revelam os 20 torturantes minutos iniciais. Há também um par de personagens que, se não chegam ao ponto de tornarem-se desnecessários, são terrivelmente mal aproveitados.

De fato, o que faz valer o ingresso para Fast Food, Fast Women é seu elenco arrasador, dono de uma segurança e carisma capazes de entreter o mais duro espectador. Ou, driblar a mais vazia idéia superior.


Fast Food, Fast Women (Fast Food, Fast Women, EUA, 2000).
De
Amos Kollek.
Elenco: Anna Levine, Jamie Harris, Louise Lasser, Robert Modica, Lonette McKee. 110 min.
Site Oficial

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Setembro 2001