Duas Vezes com Helena

Duas Vezes com Helena
Equívoco no filme de Mauro Farias

Por Diogo Henriques

Duas Vezes Com Helena, o segundo longa-metragem de Mauro Farias, é um filme que desde o início não convence.
Baseado em um conto de Paulo Emílio Salles Gomes, o filme narra a história de Polydoro (Fábio Assunção), um jovem que, ao voltar da Europa, inicia um rápido caso com Helena (Christine Fernandes), esposa de seu professor, mentor e melhor amigo, e quem Polydoro reencontrará somente 25 anos depois de terminado o romance. Falar mais seria estragar as (poucas) surpresas que o filme reserva.

Em Duas Vezes Com Helena tudo soa falso, caricatural e sem imaginação. Os diálogos são pobres e, na maior parte das vezes, se investem de um formalismo que beira o inverossímel, mesmo em se tratando de um filme de época. As atuações dos três protagonistas também não ajudam. As falas são recitadas em tons teatrais o tempo todo, e são quase sempre frias e desprovidas de qualquer expressão.

O esforço de Christine Fernandes em caracterizar Helena é digno de piedade, mas sua performance não atinge o grau de ambigüidade que seria de se esperar de sua personagem. O tal professor, vivido por Carlos Gregório, seria uma figura interessante se não incorresse em clichês da Psicologia de fundo de quintal. Fábio Assunção se sai um pouco melhor no papel de Polydoro, mas o roteiro não o ajuda a salvar o filme do fiasco.

Ao contrário de Um Copo de Cólera - um filme conceitualmente rebuscado - , o filme de Mauro Farias se perde em dúvidas e meio-termos que tornam o resultado final uma completa incoerência. Duas Vezes Com Helena não consegue ser fluente e coloquial como Amores Possíveis, e tampouco atinge a erudição literária de Um Copo de Cólera. Acaba por parecer um filme pretensioso e bobo, sem identidade, quase ridículo. Uma suposta aventura lírica, que não emociona nem pela forma nem pelo conteúdo.


Duas Vezes com Helena (Brasil, 2000).
De
Mauro Farias.
Elenco: Fábio Assunção, Christine Fernandes,
Carlos Gregório. 73 min.
Site Oficial

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Outubro 2001