Coração de Cavaleiro

Coração de Cavaleiro
Acho que já vi esse filme

Por Eddie Schäfer

O que dizer de um filme que tem uma trama tão prevísivel, utilizando clichês de várias outras produções, chegando a ser tão comovente como um desenho da Disney? O excelente roterista (ganhador do Oscar por Los Angeles - Cidade Proibidade), Brian Helgeland, é o responsável por esse feitio. Coração de Caveleiro tem cenas tão superficiais, além de cansativas cenas de batalha, que toda a linearidade do filme pode chegar a incomodar alguns tipos de espectadores.

Os cincos minutos iniciais já contam todo o filme. Um jovem, William Thatcher (Heath Ledger, de O Patriota e Dez Coisas Que Odeio em Você) é um servo que, com a morte do seu senhor, toma o lugar do nobre num pequeno torneio de justa (combate entre dois cavaleiros armados de lança no qual cada um dos participantes tem como objetivo derrubar o adversário), para que nem ele nem seus dois amigos passarem fome. Nisso, aparece Geoffrey, que falsifica um título de nobreza para William, pois somente os nobres podiam participar das competições.

A partir daí, começam os minutos de glória de William. Ele ganha todos os torneios e niguém desconfia que ele é um "pseudo-nobre". Além de tudo, não poderia faltar um par romântico para o mocinho do filme. É uma pricesa, lógico. Jocelyn (Shanny Sossamon) é quem encanta o jovem com sua beleza. Sua personagem algumas vezes chega a irritar pelo comportamento que ganha no filme - repare que ela tenta levar o filme inteiro no melhor estilo Angelina Jolie de ser. Numa das cenas ela pede para o cavaleiro perder um torneiro em prova de seu amor. E ele o faz até a princesa o permitir ganhar. Claro que se tratando de um filme que você pensa já ter visto, mas ainda não viu, não podia faltar o vilão. Ele é o Conde Adhemar (Rufus Sewell) num papel fraquinho como nos seus últimos filmes (ou alguém gostou de Filha da Luz? - muitas vezes ele chega até a lembrar Joaquin Phoenix de Gladiador). Mas o que esperar de atores que têm personagens completamente esteriotipados? Atuações magníficas? Melhor assistir outro filme.

Outra coisa decepcionante é brincar com o pop. Sim, como em Moulin Rouge, aqui tenta-se criar uma atmosfera semelhante quando as multidões começam a bater palmas e cantar "We Will Rock You" como se fosse grito de guerra em um jogo de futebol. No caso do filme de Baz Luhrmann funcionou, já aqui só piorou a situação. Mesmo a curtição dos nobres ao som de David Bowie, num clima totalmente descontraído na corte, não consegue valer a intenção.
E além de tudo, a música final é péssima. Melhor, a música é excelente, mas a regravação de "We are the Chapions", do Queen, ganhou uma versão semelhante, mas ao mesmo tempo irritante do cantor (ou devo voltar ao "pseudo-cantor") Robbie Williams.

Coração de Cavaleiro é a prova de que se pode dar um tempo para as comédias românticas, no melhor estilo de Amor ou Amizade, Ela é Demais, e transportar toda essa cultura para a era medieval - fazendo o mesmo filme, apenas em outra época. Além de provar que a linearidade dos desenhos Disney consegue ser muito mais divertida, empolgante e sempre trazendo algumas canções originais que ficam marcadas na história do cinema.
Muito ao contrário, Coração de Cavaleiro pode até conquistar o público de treze anos para baixo, mas traz uma regravação medíocre de um dos maiores clássicos do Queen para uma geração que nunca ouviu falar em Freedy Mercury.

O filme só prova (posso estar errado) que o ator Heath Ledger terá o mesmo futuro que seu amigo Freedie Prinze Jr. - fará um bando de pápeis medíocres para conquistar o público adolescente que não se cansa de ver sempre a mesma história. Espero que não, mas se ele continuar neste caminho seu futuro é previsível como o filme. Ou ainda precisa contar como esse Coração de Cavaleiro termina?



Coração de Cavaleiro (A Knight´s Tale, EUA, 2001).
De Brian Helgeland.
Elenco: Heath Ledger, Mark Addy, Paul Bettany, Rufus Sewell, Shannyn Sossamon, Laura Fraser. 128 min.
Site Oficial

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Outubro 2001