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Copacabana
Carla
Camurati volta mais madura, mas ainda faltou algo
Por
Daniel Libarino

Carla
Camurati é uma diretora em ascensão. E um exemplo
para a cinematografia brasileira atual. Após deixar
de lado a televisão decidiu, de vez, investir
na sétima arte. Começou (muito mal) em Carlota
Joaquina - Princesa do Brasil, teatrinho
filmado horroroso, mas repleto de boas intenções.
Depois emprestou todas suas idéias na ópera filmada
de La Serva Padrona. E está de volta
com Copacabana, drama que presta
sua homenagem ao famoso bairro do Rio de Janeiro.
Sem tentar glamourizar a imagem da cidade maravilhosa
- como Bruno Barreto fez brilhantemente no delicioso
Bossa Nova -, extrai ótimos e realistas
retratos do cotidiano de Copacabana, isto logo
nos créditos iniciais.
A verdade é que Carla é muito criativa, sempre
dando um toque despojado às suas produções, como
na cena em que mostra a história do nome do bairro
através de um teatrinho de bonecos. Adorável!
Mas uma pena que o filme não seja feito só de
bons momentos como este. Copacabana
erra principalmente pelo roteiro arrastado e pelos
abusos de sua diretora. Conta a história de Alberto
(Marco Nanini, simpático, mas pouco convincente),
um velho que está prestes a completar noventa
anos. Antes de sua festa de aniversário, começa
a filosofar sobre sua vida, relembrando antigos
fatos de sua juventude. Tudo isto, sob o pano
de fundo da história do bairro de Copacabana.
Vários personagens serão apresentados ao espectador:
seus amigos próximos, sua irmã, o garotinho que
engraxa seus sapatos e até um travesti. Um dos
grandes méritos da produção é mostrar o bairro
do jeito que realmente é, sem concessões, fachadas
ou moralismos. Mas Camurati peca pelo excesso
de imagens em câmara lenta, que só funcionam no
começo, perdendo logo o impacto. Copacabana
também perde pontos pelos abusivos diálogos do
protagonista, errando novamente pelo excesso,
agora regado de filosofia moribunda. Se menos,
seria mais.
Copacabana não é o filme que será
digno do talento da diretora, ainda há o que amadurecer.
Mas sua câmara nostálgica nos brinda com ótimas
imagens, seja da fotografia das praias, seja da
sessão nostalgia do personagem principal, ou história
do bairro. E ainda há as cenas finais, engraçadas
e espirituosas, que levantam o astral do roteiro
capenga. Mas nem tudo são rosas. Em certa parte
do filme o personagem Alberto, agora jovem, se
excede no dia em que perdera a virgindade com
uma prostituta e solta o que não deveria antes
do tempo... e pior: no rosto de um desconhecido
com quem compartilhara o quarto. De um mau gosto
impressionante!
Copacabana
(Brasil, 2001).
De Carla
Camurati.
Elenco: Marco Nanini, Laura Cardoso, Walderez
de Barros, Miriam Pires, Ida Gomes, Renata Fronzi.
101 min.
Site
Oficial
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