As Coisas Simples da Vida

As Coisas Simples da Vida
Simbolismo oriental

Por Daniel Libarino

Assistir a As Coisas Simples da Vida não é uma tarefa fácil. Primeiro, por causa de sua duração: são quase três horas de projeção, na qual sente-se cada minuto passado. Segundo, porque o filme retrata dramas humanos e sofrimentos inconscientes de maneira muito realista. Portanto, junta-se à obras como Magnólia e Short Cuts pela semelhança dos temas explorados. O resultado é inferior, mas não menos digno de identificação direta com o espectador.

A história começa confusa, mas vai fazendo sentido aos poucos. Um executivo da moderna Taipei trabalha em uma firma de softwares que está passando por problemas financeiros. Ao mesmo tempo, reencontra um antigo amor, que foi terminado pela ausência do moço a um encontro entre ambos. Depois, ele sumiu. Sua mulher está passando por uma crise e vai tentar ajuda espiritual, ficando reclusa em um morro. Seu irmão passa por dificuldades no recém-casamento. Seu filho pequeno está tendo problemas na escola e fica restrito apenas a seu mundo de fantasias, inseguranças e descobertas. Sua filha começa a ter um caso com o namorado de uma nova amiga e sua mãe entra em coma. São esses acontecimentos que farão com que os personagens reavaliem suas vidas e coloquem prioridades, ressaltando o que é realmente importante para ser feliz.

O diretor filma todos os acontecimentos de maneira fria e crua, o que, por um lado, é bom, pois atenta o espectador a uma possível afujentação. Sua câmera mostra os conflitos de longe, deixando claro que se trata apenas de mais um caso que poderia acontecer com qualquer um, em qualquer lugar. Porém, esse seu modo de conduzir a trama revela-se cansativo. As quase três horas de filme são passadas lentamente, causando cansaço e quase repelindo o público. O que realmente nos faz manter firmes e fortes sentados na poltrona são seus personagens. Ricos, fortes e densos, carregam todo filme nas costas sem deixar a peteca cair. São pessoas muito humanas, que refletem um retrato sutil da alta sociedade e que acabam percebendo que os melhores sentidos vêm das coisas mais simples.

Tudo isso interpretado de maneira magistral pelo seu elenco. Se a direção de Edward Yang é repleta de altos e baixos, os personagens bem construídos e dignamente atuados compensam a falha. Afinal, dirigir um drama de sentimentos humanos durante 180 minutos não é tarefa para qualquer um. Talvez se a trama fosse encurtada, o trabalho de Edward seria mais plausível. Mas, devido às circunstâncias, fica devendo. Paul Thomas Anderson e Robert Altman já passaram no teste. Yang, porém, ainda tem muito o que provar.


As Coisas Simples da Vida (Yi Yi, Taiwan / Japão, 1999).
De
Edward Yang.
Elenco: Nianzhen Wu, Kelly Lee, Jonathan Chang, Issey Ogata, Elaine Jin. 173 min.

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Setembro 2001