Círculo de Fogo

Círculo de Fogo
Filme de guerra está é longe do alvo

Por Daniel Libarino

Parece que virou moda no cinema retratar a Segunda Guerra Mundial em diferentes datas e aspectos. Tivemos o mais que competente O Resgate do Soldado Ryan, de Spielberg e a obra-prima Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick. Mas para entrar nesse mundo são necessários, no mínimo, coragem e competência, pois qualquer falha histórica que a película contiver já será motivo de massacre por parte dos críticos. E, é lógico, tudo tem que estar a cargo de um bom diretor. E o que acontece com esse Círculo de Fogo? No primeiro aspecto, passa sem maiores problemas, mas, e no segundo? Aí, as coisas complicam...

O francês Jean-Jacques Annaud tinha em sua bagagem, entre outros, O Nome da Rosa - ótimo, por sinal. Porém, em sua nova empreitada, conseguiu cometer inúmeros erros. Tenta contar a história do massacre de Stalingrado. O franco atirador Vassili (Jude Law, de O Talentoso Ripley) é mandado ao local para exterminar alemães. Sua alta competência é recohecida pelo jovem político Danilov (Joseph Fiennes, de Shakespeare Apaixonado), que começa a escrever exageradamente sobre as peripécias do atirador em um jornal. Isso para que os leitores pensem que a guerra já está no papo e, assim, aceitem participar da mesma sem maiores preocupações. Cai nos ouvidos e olhares do major alemão Koenig (Ed Harris, excelente como sempre), que trava uma disputa com Vassili.

O filme tem seus pontos positivos, sim: uma fotografia cinzenta e nébula, dando um visual sombrio à película e à atuação esplêndida e sutil de Ed Harris. Porém, é completamente apagada por todos os problemas que perseguem a produção até o final. Com excessão do ator citado anteriormente, os personagens são muito mal escritos e rasos como um píres: dífícil se envolver. E ainda são interpretados de forma seca e chinfrim pelos respectivos atores: Jude Law não convence, Joseph Fiennes está completamente perdido e Rachel Weisz, nossa, quanta ruindade!

A direção do francês é repleta de altos e baixos. Hora se mostra extremamente competente, como podemos conferir no início de Círculo de Fogo, hora se revela desnorteada, confusa, insegura e corriqueira. Não consegue prender o espectador e costura um emaranhado de cenas pouco interessantes de modo fraco e pouco convincente. Mas o que dá mais indignação ao final da sessão são os diálogos tenebrosos que os atores soltam a cada segundo. São termos tão batidos e ridiculamente expressados que causam gargalhadas de ódio. Saídos de uma película de guerra que se julga séria, soam, no mínimo, imperdoáveis.

Ah, é claro, não podemos esquecer de uma das cenas de sexo mais patéticas da história do cinema: a cara da Rachel Weisz é tão caricata e ridícula que poderia ter sido cortada na pós-produção. Infelizmente não foi, e Círculo de Fogo ficou só nas intenções. Não consegue alcançar a maestria direcional de O Resgate do Soldado Ryan e muito menos o lirismo épico de Além da Linha Vermelha. Como filme de guerra, está longe da competência. Como diversão, não convence. Então, o que resta? Passar bem longe da sala de exibição. Conselho de amigo.


Círculo de Fogo (Enemy at the Gates, EUA/Irlanda/Inglaterra, 2001).
De
Jean-Jacques Annaud.
Elenco: Jude Law, Joseph Fiennes, Rachel Weisz, Ed Harris, Bob Roskins, Ron Pearlman. 131 min.
Site Oficial

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Setembro 2001