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Cecil
Bem Demente
Demented
forever
Por
Daniel Libarino
John Waters é o
bandido, num filme chamado Hollywood. Sua ira
contra a indústria cinematográfica americana já
era bastante conhecida através de seus trabalhos
anteriores. Agora, porém, ficou marcada para a
eternidade. Cecil Bem Demente é
de uma potência e grandiosidade que poucas vezes
foi explorada. Marca a grande volta da revolta
independente carregada de mais ódio e perseverança.
Isto fica muito claro, pois sutileza é uma palavra
que parece não constar no dicionário do diretor,
que declara, de uma vez por todas, guerra ao cinemão
comercial.
Tudo começa quando um diretor de cinema meio maluco
(Stephen Dorff) arma, com a ajuda de uma trupe
de adolescentes cheios de revoltas no coração,
o seqüestro de uma grande estrela dos filmes pipoca
(Melanie Griffith). Em defesa da arte independente,
obrigam a moça a participar de uma película, com
produção fundo de quintal e que adere como tema
o massacre ao podre que denigre a sétima arte.
Para eles, se resume em uma palavra: Hollywood.
As locações não poderiam ser mais sugestivas:
uma pré-estréia de uma continuação desnecessária,
as gravações de outra seqüência originada de outro
grande sucesso, uma palestra sobre o próprio Cecil,
entre outras. A equipe chega de mansinho nos locais,
com todo equipamento ajustado e logo acabam com
a festa. É lógico que não citarei os nomes das
produções que Cecil B. Demented ataca, perderia
a graça.
Mas a melhor dica que dou a quem for assistir
ao filme é prestar bastante atenção nos detalhes.
As referências que John Waters defende (ou massacra)
em tela são mostradas de modo escancarado, porém,
há quem simplesmente não repare. Logo no começo,
o diretor filma fachadas de grandes multiplexes
americanos, mostrando títulos em cartaz, como
Star Wars, Star Trek,
a suposta seqüência de Pânico no Lago
e uma maratona de "obras primas" do comediante
Pauly Shore. Mas dura pouco: logo, Waters troca-os
pelos créditos iniciais de seu filme. Os braços
dos "guerrilheiros" anti-Titanic são tatuados
com nomes de cineastas do mundo independente,
como David Lynch e Pedro Almodóvar. São
essas sacadas que fazem de Cecil Bem Demente
um grande atentado ao cinemão dito sem cérebro
e que visa lucro acima de tudo.

Foi até engraçado quando fui o assistir em um
shopping freqüentado por patricinhas e madames
passeando com seus poodles. Dentro da sala, ao
final da sessão, parecia que ninguém tinha entendido
nada do que haviam assistido. É até interessante
ver um filme como esse sendo exibido num cinema
repleto de atrações puramente comerciais, dentro
de um centro de compras recheado de grifes caríssimas.
A revolta com que John Waters passou sua mensagem
foi tanta que deve ter assustado muita gente.
Está é certo. Cinema é arte, e esta deve ser expressada
sem censuras ou qualquer tipo de corte.
É óbvio que não é preciso concordar plenamente
com todas as idéias do filme para apreciá-lo.
Basta entender seu ponto de vista e formar suas
próprias opiniões. Em meio a comédias um tanto
iguaizinhas entre si, esta aqui arrasta um turbilhão
de gargalhadas sendo original por si só. Cecil
Bem Demente deixa sua marca de coragem,
objetividade e excelência. Dignos de uma obra-prima.
Cecil
Bem Demente (Cecil B. DeMented, EUA,
2000).
De John Waters.
Elenco: Melanie Griffith, Stephen Dorff, Alicia
Witt, Adrian Grenier, Larry Gilliard Jr., Maggie
Gyllenhaal, Jack Noseworthly, Mink Stole. 92 min.
Site
Oficial
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