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Cat
Power ao vivo - 06/11/2001 Sesc Vila Mariana/SP
Calma
e estranhezas num show "às antigas"
Por
Fábio Rigobelo
Chan
Marshall veio a São Paulo. Mas quem é
Chan Marshall? É Cat Power, sozinha ou
com sua banda. Como os três últimos
discos lançados no Brasil pela Trama, a
artista americana de 29 anos (cinco álbuns
lançados no total) começa agora
a ficar um pouco mais conhecida no país.
Sozinha no enorme palco do teatro do Sesc (sim,
teatro, cadeiras...), Chan mostrou certo desconforto
com o microfone, com a guitarra velha, com os
cabos e caixas de som. E ainda assim fez um show
tranqüilo, intimista e descontraído.
Falando baixinho, conversando e assobiando (!!!)
com a platéia, Cat Power nos deu pouco
mais de uma hora de canções românticas,
tristes e totalmente confundíveis. Isso
mesmo, porque a cantora praticamente só
usava o acorde "mi" nas músicas.
E no piano também.
Estranho
e belo, podemos definir mais ou menos assim o
show da cantora na cidade, desfalcado pela não-inclusão
de alguns "sucessos" como "Cross
Bones Style", "Naked if I want
to" e "Nude as the News",
mas muito legal. Muitas músicas eram cortadas
ao meio devido a problemas com o cabo da guitarra,
algumas ficavam sem final e a quase todas eram
coladas umas às outras, não
dando espaços para aplausos; e o show continuava
legal. A cantora afirma que aplausos atrapalham
sua concentração, bem como um certo
artista brasileiro.
A
iluminação do teatro também
não foi muito generosa, impedindo a platéia
de ver seu rosto, já encoberto por uma
franja nos olhos, bem ao estilo filha de
hippies, que Cat Power ostenta hoje. Somando
a isso um figurino totalmente simples, músicas
lindas e voz afinadíssima, vimos no show
de Chan Marshall/Cat Power um espetáculo
às antigas, simples e sincero como o bom
espírito rocknroll
manda. Estranhezas musicais e gestuais da cantora
à parte, é claro (Chan andava pelo
palco pulando ou mesmo galopando como um cavalo...).
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