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A
Casa da Colina
Cruelmente
injustiçado
Por
Daniel Libarino

Foi
uma pena que A Casa da Colina tenha
sido motivo de massacre pela crítica e de piada
por parte do público. É mais um caso de uma produção
interpretada erroneamente e que não teve seu devido
valor reconhecido. Fui assisti-lo no cinema em
seu fim-de-semana de estréia. Antes, porém, havia
lido três críticas sobre ele, nas quais os devidos
escritores haviam acabado com todas as minhas
chances de assistir a um bom filme de terror.
Ao final da sessão, meu rosto não enganava: tinha
acabado de ver um dos melhores enlatados de horror
da história. Exagero? Muito pelo contrário. A
Casa da Colina é uma celebração ao gênero,
funciona como uma espécie de homenagem aos velhos
"clássicos" centrados em uma casa assombrada.
E funciona que é uma maravilha!
O filme é, na verdade, uma refilmagem do original
dirigido por William Castle. A premissa é a mesma,
então, não esperem nada inédito: cinco estranhos
são aparentemente convidados por Stephen Price
(Geoffrey Rush), um dono de uma rede de parque
de diversões, para passarem a noite em uma casa
no topo de uma colina, dita amaldiçoada. Quem
sobreviver, ganhará um polpudo cheque de um milhão
de dólares cada. Coisas estranhas começam a acontecer
e a dúvida martela a cabeça das "vítimas": será
obra de algum espírito malígno ou apenas uma brincadeirinha
de mau gosto do anfitrião? Até o final, a gente
fica sabendo.
Agora eu pergunto: com uma historinha dessas,
é para ser levado à sério? Claro que não! A função
do filme é a de justamente homenagear aquelas
produções B, nas quais tudo é tão falso que diverte.
Logo no começo de A Casa da Colina,
as pretensões são expostas e a obra já diz à que
veio. Filma um antigo sanatório que ficava dentro
da mansão, onde abrigavam loucos de todo tipo.
Porém, começa um motim sanguinário. A terceira
cena também é fantástica, mostrando os truques
de Stephen Price para tornar as atrações de um
de seus parques mais apavorante. Já valem o filme.

O que parecia acabar por ali, continua de maneira
surpreendente. Os momentos de delírio, nos quais
acontecem estranhos fenômenos, são inquietantes
e de tirar o chapéu. Visualmente deslumbrantes,
aparecem como supostos fantasmas que tremem, homens
estranhos que andam feito robôs e criaturas esquisitas
que, na verdade, não passam de miragem. O diretor
William Malone aproveitou bem os efeitos visuais
que tinha em mãos para criar uma atmosfera alucinógena.
São um colírio para os olhos do espectador, juntamente
com as filmagens dos corredores escuros e do clima
de insegurança que move os personagens.
É obviamente perceptível que parte do roteiro
não faz o menor sentido. E nem é para fazer, caso
contrário, teria ficado quadrado demais para um
filme (que quer parecer) de segunda. Devo reconhecer
também que a parte final é dotada de problemas:
situações absurdamente ridículas acontecem, como
a parte em que todos os mortos estão juntos em
um só plano e aterrorizam a suposta próxima vítima
com diálogos vergonhosos. Mas não é nada que anule
seus méritos anteriores, frutos da direção esperta
de Malone e dos bons (ou ruins, como preferir)
efeitos visuais, especiais e de câmera.
Tudo de ruim para o que muitos torceram o nariz
está lá de propósito para ser levado como uma
gostosa brincadeira surrealista; convenhamos,
aqueles corpos na parede são explicitamente falsos!
Não comete o mesmo erro do péssimo A Casa
Amaldiçoada, que pecou, entre outros aspectos,
pelo excesso de efeitos, estando ali apenas para
cobrir o roteiro inconsistente e levado absurdamente
a sério. Que me perdoem os que odiaram, mas A
Casa da Colina é bom demais para ser verdade.
E, por pura ironia, está é muito longe de ser.
A
Casa da Colina (House on Haunted Hill,
EUA, 1999).
De William Malone.
Elenco: Geoffrey Rush, Famke Janssen, Taye Diggs,
Ali Larter, Chris Kattan, Bridgette Wilson. 96
min.
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