|
Bob
Dylan - Love and Theft
Bob
Dylan sai do limbo com um disco irretocável
Por
Diogo Henriques

Não
se pode dizer que falar mal de Bob Dylan seja
exatamente uma especialidade da crítica
musical. Desde seus primeiros discos, lá
pelos anos 60, até hoje, o talento do americano
enquanto compositor e letrista nunca deixou de
ser louvado sem mistério ou surpresa por
meio mundo afora.
A década de 90, no entanto, não
foi muito prolífica para o pai de Jakob
Dylan, que ficou por um bom tempo sumido do mapa
e escondido por trás de produções
caça-níqueis como o famigerado MTV
Unplugged. Isso, é claro, até
lançar em 1997 Time Out Of Mind,
produzido por Daniel Lanois (U2), e um marco artístico
em sua obra por caracterizar pela primeira vez
seu envolvimento com a música eletrônica
(não confundir com techno music).
Love
And Theft, seu mais recente trabalho,
deixa para trás as experimentações
do álbum anterior e aparece como um disco
de rock extremamente vigoroso e diverso, uma resposta
definitiva para os que chegaram a cogitar a transformação
de Dylan em uma múmia do mundo da música.
Impressiona ainda que Love And Theft
seja o 43o disco da carreira de um artista que,
se não é sempre ótimo, é
no mínimo geralmente bom.
As 12 músicas do novo cd apresentam tudo
que um disco de rock deve ter. Está tudo
lá: o rockabilly de "Summer Days",
as guitarras pesadas em "Honest With Me",
o blues irresistível de "Lonesome
Day Blues", passando pela perfeita-canção-para-namorados
"Moonlight". Como de costume,
Dylan acerta nas letras e nas melodias.
Não há pontos fracos em Love
And Theft, que conta ainda com pérolas
como "Mississippi" (já
gravada por Sheryl Crow em seu último disco,
com arranjo completamente diferente) e "Tweedle
Dee and Tweedle Dum", uma faixa essencialmente
cômica e visual, e não à toa
utilizada na abertura da comédia Vida
Bandida, do diretor Barry Levison.
Indicado
ao Grammy de melhor disco
do ano, não será por falta de atributos
que Bob Dylan deixará de levar a estatueta
para casa. Não custa nada lembrar que,
em crítica da respeitadíssima revista
americana Rolling Stone, Love And Theft
arrebatou nada mais nada menos que cinco estrelas,
acontecimento raríssimo na história
da publicação.
Aos que não se deixam incomodar pela voz
(agora ainda mais) rouca de Dylan, Love
And Theft é desde já um
disco obrigatório, clássico e, portanto,
indispensável à discoteca de qualquer
amante do rock'n'roll.
|