Uma Mente Brilhante

Uma Mente Brilhante
Nem é tão brilhante assim

Por Eddie Schäfer

Uma Mente Brilhante arrebatou o Globo de Ouro de Melhor Drama (apesar do favoritismo de O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel), Melhor Ator (Russel Crowe), Atriz Coadjuvante (Jennifer Connelly) e roteiro adaptado. E tem grandes chances de repetir a façanha na noite da cerimônia do Oscar. O filme de Ron Howard (Apollo 13, O Grinch) tem como base a vida do matemático, ganhador do prêmio Nobel, John Forbes Nash Jr., que formulou uma teoria revolucionária nos anos 50.

Aos 21 anos de idade, Nash Jr. começou a trabalhar no MIT (um centro de pesquisa tecnológico nos Estados Unidos) e até mesmo no Pentágono, em pleno auge da Guerra Fria. Devido ao seu dom, Nash é contratado por um agente da CIA para trabalhar em segredo para o governo, tendo como tarefa decifrar mensagens em revistas e periódicos. Durante o mesmo período, descobre sofrer de um mal: a esquizofrenia.

Ao seu lado, está a mulher, Alice (Connely, em uma excelente atuação), que não se conforma com a situação do marido. O trabalho para o governo se torna algo tão obssessivo para Nash que, até mesmo afastado do serviço, ele ainda vê mensagens em todas as revistas e jornais. Se Russel Crowe merece de fato um Oscar, seria por esse filme, e não por Gladiador, como aconteceu no ano passado - quando concorria com Javier Bardem, Tom Hanks e Geoffrey Rush. A atuação de Crowe em Uma Mente Brilhante mistura o menino de Gênio Indomável com o virtuosismo de Shine - Brilhante.

Mesmo com uma história cheia de reviravoltas e grandes atuações da dupla Crowe/Connelly, há algumas coisas no filme que não fluem. Mesmo assim, o filme deverá ser um dos grandes vencedores do Oscar, ao lado de O Senhor dos Anéis. Sua história é dessas que costumam agradar em cheio à Academia, especialmente por tratar da biografia de um homem que venceu a doença e hoje, com 71 anos, ainda trabalha em uma Universidade Norte-Americana. Como cinema é diferente da realidade, alguns fatos da vida do matemático foram simplesmente ignorados durante a produção da fita, como a separação dele e da mulher (que voltaram mais tarde) e as suas confirmadas tendências homossexuais. Possivelmente, esses dois aspectos não iriam agradar aos membros conservadores da Academia.

O grande diferencial entre O Senhor dos Anéis e Uma Mente Brilhante, apesar de serem filmes totalmente diferentes por natureza, é a direção equilibrada demais de Ron Howard. Alguns momentos do filme deveriam ser mais explorados. Exemplo é a personagem de Connelly - a cena de seu surto no banheiro poderia ser menos curta e mais bem aproveitada. As doses de realismo e alucinação confundem o espectador, a mistura de drama com algumas cenas de humor refinado e sacadas simples (como iluminar os números e letras quando Nash decifra códigos) acabam se tornando meros clichês.

Uma Mente Brilhante é daqueles filmes que, se você já estiver com um pé atrás para assistir, é melhor esperar e pegar no vídeo. Mas Jennifer Connelly merece, sim, um Oscar por sua atuação. Ela, que já havia surpreendido ano passado com Réquiem Para um Sonho, volta agora com força total, provando que é muito mais do que um rostinho bonito. Já Russel Crowe, se ganhar, merece os parabéns, mas será que a Academia vai realmente dar dois Oscar consecutivos para ele? Ainda tenho minhas esperanças em Sean Penn (que concorre com Uma Lição de Amor) ou Tom Wikinson (Entre Quatro Paredes). O tempo dirá.


Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind, EUA, 2001).
De Ron Howard.
Elenco: Russel Crowe, Jennifer Connelly, Paul Bettany, Ed Harris, Christopher Plummer, Adam Goldberg, Josh Lucas, Judd Hirsch. 135 minutos.
Site Oficial

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Fevereiro 2002