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A
Partilha
Vivendo-se
de memórias
Por
Eddie Schäfer
A
Partilha é um excelente filme. Dessa forma
simples e direta é que considero o trabalho dirigido
por Daniel Filho. Gostei muito do filme, mas fiquei
um pouco decepcionado quando li algumas críticas
negativas a respeito dele. Alguns diziam que o
trabalho é muito parecido com uma série de televisão
ou até mesmo que as atuações das atrizes estava
muito exageradas, parecendo uma cena de teatro
na tela grande.
É verdade que algumas cenas até nos remetem um
espetáculo de teatro, mas só por causa disso temos
que dizer que o filme não tem qualidade? Muito
pelo contrário. Ou você acha que o quarteto feminino
do filme não dá conta do recado e consegue tirar
pelo menos mais de dez risadas de sua boca?
O outro ponto é que se parece com uma dessas séries
que assistimos durante a semana. Só que isso também
não é motivo para te impedir de ir ao cinema.
É sempre bom lembrar que O Auto da Compadecida
fez um sucesso invejável nos cinemas brasileiros,
mesmo tendo sido exibido em televisão aberta antes,
e na seqüência de uma novela global, de chegar
às salas de cinema do país.
Mas vamos falar do filme. A Partilha
tem como tema principal a perda dos valores na
instituição da família. Trata-se da história de
quatro irmãs que, a partir da morte da mãe, se
reencontram. Dessa morte sobram algumas heranças,
mas nenhuma mais importante do que o apartamento
que irá ajudar muito financeiramente cada uma
delas a concretizar alguns sonhos pendentes.
Selma (Glória Pires) é uma mulher comum, segundo
ela mesma. Casada com Luís Fernando (Herson Capri),
um militar, que faz do lar um verdadeiro quartel
(etiquetando todos os itens da casa), e que tem
uma filha de quinze anos. Além dos problemas a
serem resolvidos com as irmãs, ela recebe a notícia
de que sua filha está grávida de um mestre, de
um culto religioso, e que desta gravidez um iluminado
virá ao mundo, segundo a filha. Só que, pra piorar
as coisas, Selma, durante o filme, irá descobrir
que ela pode ser infiel ao seu marido.
Regina (Andréa Beltrão, uma das melhores atrizes
comícas atualmente na televisão, teatro e cinema
brasileiro) é a irmã que tenta ser a mais zen
de todas, a que busca o equílibrio na vida das
quatro, mas sem muito sucesso na sua própria vivência.
Busca encontrar a paz em seus incensos ou nos
seus assuntos exotéricos. Ela leva uma vida sozinha,
pois se separou do marido por ele ter um fetiche
durante as relações sexuais que não a agradava
muito.
Lúcia (Lília Cabral) vem de Paris assim que recebe
a notícia da morte da mãe. Ela se mudou para a
França quando se apaixonou por uma pessoa na Europa.
Acabou deixando o marido (mulherengo) e o filho
no Brasil para viver com seu verdadeiro amor.
Quando ela volta se encontra com o filho, que
sente uma repulsão pela mãe.

E a última das irmãs, porém não a menos importante,
é Laura (Paloma Duarte). Uma estudante universitária
carioca que está trabalhando em sua tese e que,
com o dinheiro da venda do apartamento, pretende
ir para a Alemanha, onde pretende continuar seus
estudos e finalizar sua pesquisa. Mas ela fica
na dúvida se deve ir ou não, pois a pessoa com
quem convive não quer mudar de rotina saindo do
Rio para viver uma vida totalmente diferente na
Alemanha.
Não dá para se dizer quem é a atriz principal,
pois a escolha do elenco não poderia ser melhor.
Uma atriz sustenta a performance da outra. Porém,
as cenas mais engraçadas ficam por conta das personagens
de Lília Cabral e Andréa Beltrão.
A Partilha é um filme que chega
a ser muito bonito. Isso porque quando os personagens
vão ao apartamento da mãe, vão encontrando algumas
coisas que foram importantes quando elas eram
mais jovens, mas que agora não passam de velhas
lembranças. É um filme que deixa a mensagem de
que devemos dar sempre valor ao momento, e que
o passado, apesar de ter sido maravilho, já passou.
A
Partilha (Brasil, 2001).
De Daniel Filho.
Elenco: Glória Pires, Andréa Beltrão,
Paloma Duarte, Lilia Cabral, Marcelo Anthony,
Herson Capri. 94 min.
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