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Alana Davis - Fortune Cookies
As
canções
da sorte
Por
Eddie Schäfer
Alana
Davis não é o tipo de garota que
vende milhões de discos, alcança
várias oitavas com a sua voz ou chama muito
a atenção do público da MTV
e das rádios populares. Mas é, de
certa forma, especial. A partir de toda essa falta
de atenção, do público em
geral, é que lança, com sua simplicidade,
seu segundo trabalho depois de quatro anos do
seu disco de estréia.
As
onze faixas de Fortune
Cookies, assim como do primeiro álbum,
são embaladas geralmente pela voz suave
da cantora, ritmos de violão, percussão,
baixo e sons de teclado. Porém, aqui procura
adicionar novos estilos em algumas faixas, como
funk, soul e reggae.
"Save
the Day",
a primeira faixa, à medida em que seu refrão
vai se repetindo ao longo da canção,
parece sempre subir um tom, fazendo com que Alana
Davis cante com mais vontade e animação.
Ainda no final, depois de toda a agitação,
somos presenteados com simples e belos acordes
de violão. Mas isso não é
motivo nenhum para se esperar que o disco desande,
pois a faixa seguinte, "I Want You",
que foi o primeiro single do disco e elogiada
pela maioria dos críticos, atinge o seu
ápice quando a cantora diz "and
I can´t get enough" ("e eu
não consigo o bastante"), podendo
até parecer contraditório tudo o
que foi dito a seu respeito até agora.
A
balada "When You Became King",
assim como "God of Love", tem
uma letra simples e a voz da cantora tentando
soar bem leve. Outro destaque é para "I
Don´t Care (Lonesome Road)", definitivamente
a melhor balada do disco, que, além do
som do violão, incorpora violinos e cellos
fazendo-a parecer mais leve e triste. Típica
faixa que deixa até um brutamontes com
uma gotinha de lágrima no olhar.
Se
"How Many Of Us Have Them (Friends)"
soa estranha pelo seus sons de passarinhos e mixagens,
"Bye Bye" adota ritmos de soul
e funk, chegando a remeter a algumas músicas
de Nikka Costa. E
o que dizer de "Got this Far",
que tem ritmos de reggae e chega muitas vezes
a empolgar quando sai um pouco daquele reggae
típico, encarando batidas bem envolventes?
Mas Alana continua fiel ao seu violão,
mesmo com tantos ritmos novos. Basta escutar quando
ela diz em "Bye Bye": "When
all I want to do is play my guitar".
E certamente é com seu violão que
expressa, da melhor forma, seus sentimentos.
Depois
de todas essas experimentações,
mais baladas levadas pelos arranjos de violão,
teclados e bateria, que parece sempre estar mais
animada ao longo das canções, recheiam
o disco. É o caso de "Under The
Rainbow" e "A Chance with You",
que falam sobre auto-estima e amor, embora não
como estejamos acostumados a ouvir, pois o amor
parece mais simples de se falar do que para a
maioria das mulheres que surgiram nos anos 90,
além de muito melhor de se sentir para
a cantora.
Prova
de tudo isso é a faixa final (que ainda
traz uma rápida faixa escondida), "Easy
to Love". Ela canta que não é
escolha dela estar sozinha e que não será
possessiva quando encontrar a pessoa certa. Apenas
não pretende passar mais os seus momentos
sozinha sem ter alguém do seu lado. Certamente,
você não escutará as músicas
de Alana Davis nas rádios, não verá
seus clipes. Mas talvez muitos que a terão
ainda como uma estranha não saibam como
amor e pequenas histórias da vida, transmitidas
em simples acordes e letras, de alguma forma farão
você pensar em atitudes que já precisou
tomar.
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