Alana Davis - Blame It On Me

Alana Davis - Blame It On Me
A culpa é de qualquer um, menos de Alana Davis

Por Eddie Schäfer

"I am, what I am...". Quando cantou esse refrão pela primeira vez o mundo conheceu Alana Davis. A música, um cover de Ani DiFranco, "32 Flavors", foi o primeiro single da cantora. Mas é impossível descrever a excelente compositora e instrumentista que é só pela versão pop-atualizada que deu para a música de DiFranco. Afinal de contas, todas as outras canções são de autoria de Davis.

Há quem diga que Alana é uma aspirante à vaga de Alanis Morissette, Sheryl Crow, Jewel, Fiona Apple ou até mesmo Paula Cole. Isso por ela ser apenas mais uma das cantoras que surgiram nos anos 90 junto com alguns nomes de peso.

Alana é filha de músicos. Seu pai, Walter David, é pianista e sua mãe, Anna Schonfield, cantora de Jazz. Mas Blame It on Me é um álbum de melodias suaves, geralmente engajadas por um violão, percussão e piano. E a cantora não faz muita força para conseguir alcançar várias oitavas com sua voz linear, prova disso são as doze faixas do disco. Mas Alana tem letras divertidas e sentimentais, levadas por animados acordes de violão, remetendo uma versão mais pop de Aimee Mann.

"Love and Pride" e "Turtle", assim como "Weight of the World", são canções que, além de contarem com os acordes de violão, tocado por Davis, têm um belo acompanhamento de piano. Por sinal, "Turtle" traz uma das letras mais divertidas e verdadeiras - de nos sentirmos bem do jeito que somos e aceitarmos as eventuais mudanças, mas não de deixarmos de viver. As canções são simples, sinceras e compreensíveis e, com suas melodias, ganham vida. Até mesmo na faixa título, "Blame it on Me", em que a melodia feita em teclados e violões remetem a uma certa "brasilidade".

"Lullaby" e "Free", as melhores baladas do álbum, são músicas simples que ganham muito com as letras honestas da cantora. A primeira ganha uma versão bem leve, como o nome da música sugere (canção de ninar), enquanto "Free" fala do fim de um relacionamento, mas com um piano que dá vida à música e, ao mesmo tempo, finaliza com notas simples e frases como: "... left a hole where my heart should be..." ou "you are free / free to give the back the heart of me and replace all this misery". E todas provam que uma boa melodia nos faz sentir cada palavra dita.

Não poderia deixar de lembrar de uma das músicas mais animadas do disco - "Crazy". Solos de guitarra e uma Alana divertida dizendo "I´m not completely insane, I´m maybe just a little bit crazy" fazem com que nos movemos na mesma batida que a percussão.

Digamos que Alana Davis é uma das revelações dos anos 90 que ainda precisa ser descoberta por muitos. Afinal de contas, culpados por você não conhecê-la, podem ser vários, menos ela. Escute algumas faixas e tente resistir aos acordes de violão, notas ecoadas de piano e a voz irressístivel da cantora. Tenho certeza de que você não vai conseguir.

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Dezembro 2001